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OPAÍS

O fardamento não calça a ética: por uma Polícia que proteja sem oprimir

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
4 de Fevereiro, 2026
Em Opinião
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Quando o sol nasce sobre as nossas cidades e o cidadão comum sai à rua para a luta diária pela sobrevivência, a primeira imagem de autoridade que encontra é, frequentemente, a do agente fardado. Neste encontro entre o Estado e o Povo, reside uma questão fundamental que tem dominado as nossas conversas, os nossos telejornais e as nossas redes sociais: o que sentimos ao ver uma farda? Segurança ou sobressalto? Como estudiosa das Ciências Políticas e da Ética, entendo que a farda é um símbolo de soberania.

Ela representa a lei, a ordem e o contrato social que todos assinamos para viver em paz. No entanto, é urgente recordar que o tecido da farda, por mais engomado que esteja, não calça a ética. A autoridade legal é concedida pelo Estado, mas a autoridade moral — aquela que conquista o respeito voluntário do cidadão — essa só é conquistada pela conduta.

Temos assistido, por via da mídia, a episódios que nos fazem reflectir sobre a necessidade premente de uma reforma humanizada nas nossas instituições de segurança. A reforma que o país precisa não se esgota na modernização das viaturas ou no reforço do armamento. A verdadeira reforma é invisível aos olhos, mas sensível ao coração: é a reforma do pensamento e da atitude.

É necessário olhar para os nossos efectivos não como máquinas de repressão, mas como seres humanos. Muitas vezes, o agente que falha na via pública é o mesmo que carrega o peso do stress operacional, de carências psicos- sociais e de uma pressão que a farda não consegue esconder. Aqui, a Teologia ensina-nos que a cura das instituições passa pela cura das pessoas. Um agente que não se sente valorizado ou cuidado pela sua instituição terá dificuldade em cuidar do cidadão com a empatia necessária.

Precisamos de uma Polícia de proximidade que não seja apenas um slogan, mas uma prática ética. Uma polícia que entenda que a sua maior arma não é o coldre à cintura, mas a capacidade de mediar conflitos e de ser o porto seguro das comunidades. A força só é legítima quando é usada para proteger a vida; quando usada para oprimir, ela perde o seu nome e passa a chamar-se arbítrio. Angola vive um tempo de renovação. E essa renovação exige que as nossas forças de ordem sejam escolas de cidadania.

Que o agente seja o primeiro a cumprir a lei para que tenha autoridade de a exigir. Que a ética seja o pilar que sustenta o comando e a obediência. Afinal, uma instituição forte não é aquela que se impõe pelo medo, mas aquela cuja integridade silencia o conflito antes mesmo de ele começar. Que a nossa farda seja, acima de tudo, o manto da justiça e o escudo da nossa paz social. “Uma instituição forte não é aquela que grita mais alto, mas aquela cujos valores silenciam o conflito antes de ele começar.”

POR: KARINY JOÃO

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