Cerca de 10 anos depois de ter chegado ao Palácio da Cidade Alta, substituindo o Presidente José Eduardo dos Santos, depois de quase 40 anos de poder ininterrupto do seu sucessor, é inevitável que se pretenda saber o que foi feito pelo Presidente João Lourenço.
Faltando menos de um ano para o término do seu segundo e último mandato, o discurso à Nação seria, indiscutivelmente, uma espécie de balanço antecipado destes mais de nove anos. Isto é, depois de ter herdado um país em crise, com poucos anos de paz e uma população cada vez mais exigente na melhoria das suas condições de vida, de Cabinda ao Cunene.
Num discurso de pouco mais de quatro horas, em que trouxe à liça os investimentos e acontecimentos em toda a vida política, económica, social, desportiva, cultural e não só, sobressaiu principalmente os números e as realizações. É este legado que, embora ainda não se esteja na ‘hora do bye’, deve merecer reflexão, discussão e análise de quem procura saber o que terá sido feito ao longo do mandato que ainda não terminou.
Apesar de ter dito que se tenha proposto a assumir a missão de ajudar a desenvolver o país, em termos económicos e sociais, depois de Agostinho Neto ter proclamado a independência e José Eduardo dos Santos conquistado a paz, tornar Angola um melhor local para se viver, trabalhar, fazer negócios ou até turismo não deixa de ser uma tarefa de todos. Mas, enquanto titular do Poder Executivo, compete, sim, ao Presidente João Lourenço assumir as rédeas de jogo.
De tal modo que é algumas vezes criticado, o que deve exigir também bom senso e reconhecimento, incluindo de sectores da oposição e alguns críticos da sociedade civil, quanto às realizações.
Tem-se dito que os números não mentem. E muitos foram apresentados ontem pelo Presidente da República, durante o Estado da Nação, demonstrando melhorias em muitos sectores, principalmente num país em que a população cresce de forma vertiginosa, acima dos três por cento.
O aumento do número de salas de aulas, centros e postos de saúde, a construção de hospitais de referência, a melhoria significativa do fornecimento de energia eléctrica e água potável em muitas partes do país são alguns dos ganhos demonstrados percentualmente.
Aqui se acresce a construção de mais habitações, estradas, o aumento da produção agrícola, o combate à seca, a promoção do turismo, a melhoria do doing business são outras das evidências apresentadas pelo Presidente através de números, alguns dos quais reconhecidos por organismos internacionais.
Há ainda as realizações a nível da diplomacia, no campo dos desportos e suas infra-estruturas, a estabilidade macroeconómica e combate à corrupção, que foi desde sempre um dos maiores cancros do país, que teve a proeza de começar a combater, recuperando, por exemplo, mais de 13 mil milhões de dólares norte-americanos. Ainda há muito por se recuperar.
Do mesmo modo que há muito por se fazer no país em vários domínios, o que exigirá a participação de muitos angolanos. O que se sabe é que, para o próximo ano, devem entrar em funcionamento muitos projectos e a abertura de outras infra-estruturas, projectos e serviços.
Com isso, é crível dizer-se que o Estado da Nação de ontem está longe de ser um adeus. Porque o legado a ser deixado ainda poderá engordar para uma maior e melhor apreciação crítica do Presidente João Lourenço e da sua equipa no actual Executivo.





