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OPAÍS

PONTUAL: Carapau fora do prato

Jorge Fernandespor Jorge Fernandes
6 de Julho, 2026
Em Opinião
É de hoje…O desafio do ANGOTIC

A medida não é nova; tem vindo a ser aplicada de forma sazonal. Assim, desde o passado dia 1 de Julho e até 31 de Agosto, vigora a proibição da pesca do carapau nos mares nacionais, com o objectivo de garantir a preservação e a reprodução da espécie, conforme orientação do Ministério das Pescas e Recursos Marinhos. Trata-se de um dos peixes mais apreciados pela maioria dos angolanos.

Por isso, a sua ausência no mercado preocupa não apenas os consumidores habituados a este peixe, de bom tamanho e sabor apreciado, preparado frito, cozido ou grelhado, mas também os próprios pescadores, que encontram no carapau uma fonte rápida de rendimento. O grande desafio, contudo, continua a ser o cumprimento efectivo da medida.

Apesar de serem anunciadas condições de stock em quantidades suficientes para abastecer o mercado, há ainda operadores do sector que insistem em actuar à margem das orientações oficiais, movidos pelo lucro fácil e desrespeitando o período de defeso. Só será possível garantir a disponibilidade futura de carapau fresco e de qualidade se esta veda for respeitada, permitindo a protecção do período de reprodução da espécie e contribuindo para a sustentabilidade dos recursos marinhos e da actividade pesqueira para as próximas gerações.

Impõe-se, por isso, uma fiscalização mais rigorosa por parte das autoridades competentes, não apenas sobre os pescadores nacionais, mas também sobre embarcações estrangeiras que, por vezes, operam de forma ilegal nos nossos mares e abastecem mercados paralelos. Para além disso, é igualmente necessário reforçar a vigilância sobre os grandes comerciantes e revendedores, de modo a desencorajar práticas de especulação de preços, sobretudo num período em que a escassez resulta de uma medida temporária e não de uma quebra estrutural da oferta.

Dentro de pouco mais de um mês e meio, o carapau voltará ao prato dos angolanos, como de hábito — desde que o tempo de repouso do mar seja respeitado. No fundo, trata-se de uma pausa necessária do mar para que, mais tarde, o carapau volte a chegar às nossas mesas com qualidade e abundância. Se cada um fizer a sua parte — do pescador ao consumidor — o que hoje é ausência transforma-se, amanhã, em continuidade.

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