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O caminho para a cop 31, uma reflexão sobre questões ambientais no contexto geopolítico

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
29 de Julho, 2026
Em Opinião
O caminho para a cop 31, uma reflexão sobre questões ambientais no contexto geopolítico

A Conferência das Partes (COP) é certamente um dos maiores palcos das decisões sobre questões ambientais, seguramente, o maior espaço de debates e tomada de decisões de relevância geopolítica.

Durante décadas, o debate ambiental foi tratado como uma agenda essencialmente ecológica. Hoje, essa visão tornou-se insuficiente. As questões ambientais passaram a ocupar o centro da geopolítica mundial, influenciando relações internacionais, comércio, segurança, finanças, tecnologia, energia e soberania dos Estados.

O ambiente deixou de ser apenas um património natural para se transformar num activo estratégico. Quem controla minerais críticos, água, biodiversidade, carbono, tecnologias limpas, inteligência artificial aplicada ao clima e cadeias de valor da economia circular passa a deter influência económica e política sobre o futuro do planeta.

Neste contexto, África encontra-se perante um paradoxo histórico. O continente possui uma das maiores reservas de recursos naturais do mundo, abriga ecossistemas fundamentais para a estabilidade climática global e concentra uma população jovem capaz de liderar uma nova economia verde. Contudo, continua a beneficiar de forma limitada do valor económico gerado pelos seus próprios recursos.

A discussão internacional deve evoluir da simples conservação para uma visão de justiça ambiental, justiça económica e justiça tecnológica. Não basta proteger florestas, oceanos e biodiversidade; é necessário garantir que os países que preservam estes bens globais recebam financiamento adequado, acesso à tecnologia, transferência de conhecimento e oportunidades de industrialização sustentável.

Os grandes fóruns internacionais como a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP), o G20, o G7, a União Africana e o Painel Internacional de Recursos, demonstram que a transição ecológica será também uma disputa por investimentos, cadeias industriais, inovação e competitividade.

Neste cenário, Angola possui uma oportunidade singular. A sua riqueza em recursos minerais, florestais, agrícolas, hídricos e marinhos permite-lhe posicionar-se como um dos principais polos africanos da bioeconomia, da economia circular e do financiamento climático. Contudo, essa oportunidade dependerá da existência de políticas públicas baseadas na ciência, planeamento territorial, governação transparente e forte participação do setor privado, da academia e da sociedade civil.

A verdadeira segurança ambiental já não depende apenas da proteção da natureza, mas também da capacidade dos países de gerir riscos climáticos, garantir segurança alimentar, proteger os solos, assegurar recursos hídricos, desenvolver cidades resilientes e criar mercados de carbono e de materiais reciclados com integridade ambiental.

Outro elemento central da geopolítica contemporânea é a diplomacia dos recursos estratégicos. Minerais críticos para baterias, energias renováveis e tecnologias digitais tornam-se instrumentos de influência internacional. África deve evitar repetir modelos históricos de exportação de matérias-primas sem agregação de valor, promovendo industrialização, inovação e desenvolvimento tecnológico.

A juventude africana desempenha igualmente um papel determinante. O investimento em educação ambiental, competências digitais, empreendedorismo verde, investigação científica e inovação será decisivo para transformar desafios ambientais em oportunidades económicas.

Neste contexto, a abordagem integrada pode ser baseada em cinco pilares, e destacam:

  1. Ciência como fundamento da decisão pública.
  2. Financiamento climático transparente e orientado para resultados.
  3. Industrialização sustentável com conteúdo local.
  4. Cooperação internacional baseada em parcerias justas e benefícios mútuos.

O futuro da geopolítica ambiental será definido não apenas pela capacidade de reduzir emissões, mas pela habilidade de transformar conhecimento científico em prosperidade partilhada. Os países que conseguirem alinhar ambiente, economia, inovação e inclusão social serão os protagonistas da nova ordem económica global.

Mais do que responder às crises ambientais, é tempo de construir uma nova arquitetura de desenvolvimento onde os recursos naturais deixem de representar apenas riqueza potencial e passem a constituir a base de uma economia resiliente, competitiva e sustentável. Para Angola e para África, este é um momento histórico de liderança, em que a proteção do ambiente deve caminhar lado a lado com a criação de valor, a soberania económica e o bem-estar das gerações presentes e futuras.

Resumindo, no caminho para a COP 31, será necessário destravar as regras e o financiamento. Precisamos enxergar que com uma estrutura soberana para o mercado de carbono, um portfólio de projetos de redução de metano e uma plataforma de investimentos capaz de atrair financiamento multilateral, ao mesmo tempo em que protege os interesses nacionais de desenvolvimento. Estejamos preparados para negociar e empoderar Angola e o Continente numa única posição.

POR: Eng.º Miguel Kinavuidi – Ambientalista

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