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OPAÍS

Visão estratégica da China sobre a cooperação sino-africana

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
16 de Fevereiro, 2026
Em Opinião
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“Uma observação holística da Cooperação do Sul Global na visão estratégica do Presidente Xi Jin- ping entre a República Popular da China e a União Africana”

Introdução

No actual contexto internacional marcado por transformações profundas, tensões geo- políticas e crescente afirmação do Sul Global, a relação entre a República Popular da China e a União Africana assume centralidade estratégica. A recente mensagem de congratulação enviada pelo Presidente Xi Jinping à 39ª Cimeira da União Africana reforça não apenas o simbolismo diplomático, mas consolida uma visão estruturada de cooperação estratégica, multilate- ralismo e modernização compartilhada.

Desde 2013, o Presidente Xi tem enviado mensagem de congratulação à UA por 14 anos consecutivos. Ao destacar o crescimento do Sul Global e reconhecer a União Africana como voz activa no sistema internacional, a liderança chinesa projecta uma narrativa que posiciona África como sujeito da governança global.

Este gesto diplomático ocorre num momento em que a ordem internacional atravessa reconfigurações significativas, marcadas por disputas de poder, desafios económicos e questionamentos à arquitectura multilateral vigente. A Diplomacia das Cúpulas da União Africana e o Reforço do Eixo China-África Na mensagem dirigida à 39ª Cimeira da União Africana, Xi Jinping destacou que, diante de uma situação internacional complexa e entrelaçada, o Sul Global — representado pela China e pela África — tem crescido continuamente em influência e relevâcia estratégica.

Segundo o Presidente chinês, a União Africana tem unido e liderado os países africanos no avanço da integração continental, respondendo de forma activa aos desafios regio- nais e globais. O sucesso da Cúpula de Pequim do Fórum de Cooperação China- África (FOCAC) foi apresentado como marco de uma nova etapa na construção conjunta de uma comunidade China-África pa- ra todas as condições climáti- cas, com futuro compartilhado para a nova era.

Tal formulação sugere estabilidade estratégica de longo prazo, independentemente das oscilações conjunturais da geopolítica global. Já na 37ª Cúpula da União Africana, o Presidente chinês sublinhou o aprofundamento contínuo das relações sino-africanas e a decisão conjunta de apoiar mutuamente os respectivos caminhos de modernização. Este posicionamento reforça o princípio de respeito à soberania, à auto-determinação e à escolha independente de modelos de desenvolvimento.

De igual modo, a carta enviada aos veteranos da guerra de libertação nacional do Zimbábue carrega forte simbolismo histórico. Ao recordar o apoio chinês às lutas africanas contra o colonialismo e o imperialismo, Pequim reafirma a memória partilhada de solidariedade política que sustenta a cooperação contemporânea. Ao assinalar que 2026 marca o 70.º aniversário das relações diplomáticas entre a China e países africanos, bem como o Ano China-África dos Intercâmbios entre Povos, a diplomacia chinesa combina pragmatismo económico, cooperação institucional e aproximação cultural. Cooperação Sul-Sul e Modernização Compartilhada.

A Cooperação Sul-Sul emerge, neste contexto, como mecanismo alternativo de desenvolvimento, centrada na complementaridade económica, na transferência de tecnologia e no fortalecimento institucional. A parceria sino-africana evoluiu de uma relação predominantemente comercial para uma cooperação estratégica abrangente, com impacto em infraestrutura, agricultura, educação, telecomunicações e conectividade regional.

Além disso, a partir de 1 de maio de 2026, a China ampliará a política de taxas alfandegárias zero para os 53 países africanos que têm relações diplomáticas com o país, modernizando o “canal verde” e ampliar ainda mais o acesso de produtos africanos ao mercado chinês. Enquanto segunda maior economia do mundo, a China tem ampliado a sua abertura económica, promovendo um ambiente favorável ao comércio e ao investimento, orientado para benefícios mútuos. Esta dinâmica reforça a narrativa de modernização inclusiva e desenvolvimento compartilhado.

Considerações Finais

As mensagens enviadas às Cúpulas da União Africana devem ser interpretadas como instrumentos estratégicos de consolidação de uma arquitectura internacional mais inclusiva e multipolar. A convergência de posições entre China e países africanos poderá contribuir para uma reforma gradual da governança global, tornando-a mais representativa das realidades do Sul Global.

Contudo, a eficácia desta cooperação dependerá da capacidade institucional dos Estados africanos, da boa governação e do alinhamento estratégico entre prioridades nacionais e continentais. O aprofundamento da parceria sino-africana representa não apenas continuidade histórica, mas também oportunidade concreta para redefinir padrões de desenvolvimento e fortalecer a posição da África na ordem internacional em transformação.

POR:RAIMUNDO GONÇALVES

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