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OPAÍS

Não é possível afirmar, sem dados científicos, se angola possui ou não uma comunidade leitora

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
14 de Maio, 2026
Em Opinião
Não é possível afirmar, sem dados científicos, se angola possui ou não uma comunidade leitora

A leitura não se resume à simples decifração de palavras nem ao nível de alfabetização de uma população. Saber ler e escrever não significa, necessariamente, cultivar o hábito da leitura ou integrar uma comunidade leitora activa. No caso de Angola, desconhece se a existência de um instrumento legal ou estatístico específico que permita medir, de forma sistemática, a dimensão da população lei tora vs. produção científica e literária, isto é, um estudo científico relacionado especificamente à compreensão da competência lei tora e à quali(quanti)dade de leitores a nível nacional.

É possível que o Ministério da Educação de Angola disponha de alguns indicadores; contudo, para se chegar a conclusões sólidas sobre a existência ou não de uma comunidade leitora no país, torna-se indispensável a realização de um estudo científico abrangente, e não apenas a formulação de opiniões desprovidas de dados cientificamente com provados, resultantes de colecta, análise e elaboração de relatórios de pesquisa.

Verifica-se, portanto, a necessidade de um projecto aberto e teoricamente orientado sobre a leitura e o perfil do leitor angolano. Tal estudo pode ser promovido pelo Estado, por instituições privadas ou ainda por iniciativas individuais e colectivas, envolvendo universidades, centros de investigação e investigadores independentes.

A recolha de dados poderá ser feita por meio de entrevistas e questionários aplicados a uma amostra representativa da população angolana. Caminhos metodológicos Considerando a dimensão territorial do país e a necessidade de representatividade estatística, seria fundamental contar com a colaboração de professores de todos os níveis de ensino, desde o primário até ao ensino superior, em todas as províncias, envolvendo informantes de diferentes faixas etárias.

Esses profissionais desempenhariam um papel decisivo na distribuição e recolha dos instrumentos de pesquisa, sobretudo diante das limitações ainda existentes no acesso às tecnologias de informação e comunicação.

Critérios para o estudo para que o levantamento seja abrangente e permita avaliar com rigor a existência de leitores em Angola, sugere-se a consideração dos seguintes critérios:

1. Perfil e comportamento do leitor Além dos que sabem ler, o estudo deverá identificar quantos angolanos lêem livros total ou parcialmente, bem como a frequência dessa prática: diária, semanal, mensal ou trimestral.

2. Oportunidades de leitura Será importante determinar quantos cidadãos têm acesso a livros além dos materiais escolares obrigatórios, analisando também as circunstâncias em que esse contacto ocorre.

3. Média periódica de comercialização de livros
O foco deverá recair sobre livrarias e editoras, com o objectivo de apurar quantos livros físicos, livros digitais e revistas são comercializa dos mensal ou trimestralmente em relação ao número de habitantes no território nacional. Também poderá ser analisado o número de obras publicadas em cada província.

4. Agentes de promoção da leitura O estudo deverá mapear o número de bibliotecas, livrarias e editoras existentes por bairro e município, considerando a densidade populacional. Deverá também recolher informações sobre quantos profes sores sugerem leituras e quais tipologias textuais (géneros) são mais lidas, considerando a faixa etária dos intervenientes.

Leia mais em…

Por: NELSON SOQUESSA

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