Em Angola, a candonga foi, durante muitos anos, uma actividade exercida predominantemente por homens. Actualmente, porém, é cada vez mais comum encontrarmos mulheres a trabalhar como lotadoras e cobradoras de táxi. Entre os aspectos que despertam a nossa curiosidade, destaca-se a aparente mudança da voz de algumas destas profissionais, que, com o passar do tempo, parece tornar-se mais grossa ou rouca. Do ponto de vista linguístico, a voz é um instrumento funda mental da comunicação oral.
No exercício desta profissão, as mulheres precisam de anunciar destinos, chamar passageiros e comunicar num ambiente marcado pelo ruído. Esta utilização frequente e intensa da voz levanta uma questão: será que as exigências comunicativas da candonga estão relacionadas com as alterações vocais observadas? A Fonética, ramo da Linguística que estuda os sons da fala, permite analisar características como a frequência, a intensidade e a qualidade vocal.
Contu do, é importante distinguir uma voz mais grave de uma voz rouca, pois são características diferentes. O esforço vocal excessivo pode contribuir para altera ções da voz, mas não podemos afirmar, sem investigação, que a profissão seja a causa directa do seu engrossamento.
Esta observação merece, portanto, uma reflexão científica sobre a relação entre a linguagem, a sociedade e a utilização profissional da voz. Afinal, a voz não serve apenas para transmitir palavras: é também um fenómeno físico e social, cuja transformação pode revelar aspectos interessantes da realidade quotidiana angolana.
Por: LUDI JÚNIOR








