Nas organizações, plane ar é importante, definir objectivos é necessário e distribuir tarefas é fundamental. No entanto, nada disso garante, por si só, que os resultados esperados sejam alcança dos. Entre aquilo que se pretende fazer e aquilo que efectivamente se consegue realizar, existe um elemento decisivo, muitas vezes pouco valorizado na gestão: a coordenação.
Uma organização pode dispor de recursos financeiros, equipa mentos modernos, profissionais competentes e planos bem elaborados e, ainda assim, apresentar resultados insatisfatórios. Isso acontece frequentemente por que as suas actividades não estão devidamente articuladas, os de partamentos trabalham de for ma isolada, a informação não circula atempadamente e as responsabilidades não são suficientemente claras.
Nestas circunstâncias, cada pessoa pode estar ocupada com as suas tarefas, mas o conjunto da organização dificilmente alcança o desempenho desejado. Para compreender esta realidade, basta olharmos para o funcionamento do corpo humano. As pernas, os braços, os olhos e os demais órgãos desempenham funções específicas, mas nenhum deles funciona de forma verdadeiramente eficaz quando está desligado dos restantes.
Imaginem, por exemplo, o que aconteceria se as pernas se movimentassem numa direcção e os braços tentassem executar uma tarefa incompatível com esse movimento. Existiria actividade, mas faltaria harmonia. Nas organizações, a lógica é semelhante: os departamentos e os colaboradores podem cumprir as suas tarefas individuais, mas, sem articulação, o resultado colectivo fica comprometido.
Esta analogia ajuda-nos a compreender a visão sistémica das organizações, segundo a qual estas devem ser entendidas como conjuntos de elementos interdependentes, cujas relações influenciam o funcionamento do todo. Ludwig von Bertalanffy, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da Teoria Geral dos Sistemas, defendeu a importância de compreender os fenómenos a partir das relações entre as suas partes, e não ape nas pela análise isolada de cada elemento.
Aplicada à gestão, es ta perspectiva demonstra que o desempenho de uma organiza ção não depende exclusivamen te da qualidade individual dos seus componentes, mas também da forma como estes interagem e contribuem para um propósi to comum.
Coordenar significa, essencial mente, harmonizar esforços, in tegrar actividades, alinhar res ponsabilidades e assegurar que as diferentes partes de uma or ganização trabalham em fun ção de objectivos comuns.
Não se trata apenas de distribuir tarefas, convocar reuniões ou transmitir orientações. Trata-se de garantir que cada actividade acontece no momento adequa do, com os recursos necessários e em articulação com as demais. A coordenação permite, assim, transformar um conjunto de iniciativas individuais numa acção colectiva organizada e orientada para resultados.
Por: FRANCISCO AUGUSTO








