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Ler para quê? – uma retórica existencial

Jornal Opaispor Jornal Opais
20 de Agosto, 2024
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Ler para quê? – uma  retórica existencial

Apresente abordagem sustenta-se sob o espectro da leitura como veículo de diálogo multicultural, sobretudo, no processo de assimilações, de confrontações conceptuais, de interpretações, de reconstruções de saberes, de reformulações de sentidos e de aferições objectivas.

O seu fito prende-se também ao imperativo de analisarmos a relação sine qua non entre a leitura e o modus operandi dos diferentes segmentos sociais, que compõem o tecido angolano, no processo crítico funcional do ensino à aprendizagem, do aprender ao desaprender, do constante questionamento, do afinamento cognitivo, com maior incidência aos leitores progressistas.

Assim, o contexto angolano que é objecto de análise da nossa retórica, a leitura não deve ser materializada como um acto de vaidade nem deve ser associada à fome livresca do ler tudo. Ler implica sua relação com o contexto.

É também o estabelecer de um diálogo sociolinguístico com outras realidades, suas culturas e suas histórias. Daí que, a leitura como instrumento de linguagem consubstancia-se como vector de intercâmbio sociocultural, possibilita o encontro intergeracional.

Assim sendo, o valor antropológico da leitura é evidente e indiscutível nas relações humanas e não é por em vão que se funda também como um acto de cidadania. Torna mais claro e preciso os conhecimentos, facilita o aproveitamento da experiência das gerações passadas e ao mesmo tempo à tradição e ao progresso.

A retórica que se levanta, ler para quê? Propõe – nos a uma reflexão sobre o que lemos, como lemos e, obviamente, o propósito das nossas leituras. Uma retórica vinculativa às soluções que advêm da leitura como acto em prática.

É extensiva à medida que a leitura implica processo de formação cultural, filosófica, económica, política, antropológica e ética também. Sob o escopo da psicolinguística, a leitura permite o desenvolvimento psicomotor, oxigena o conhecimento e proporciona equilíbrio emocional.

Outrossim, pela sua natureza cultural estreita interdisciplinaridade entre os saberes e a leitura revisionista evita a repetição de actos deslocados ou de eventos desarticulados com a realidade e com as exigências de cada tempo.

A leitura deve, conquanto, ocupar um lugar de relevo e significativo nos diferentes espaços sociais. Deve ser, sobretudo, um instrumento, obviamente associado à prática, de busca de resoluções de problemas e de interpretação dos fenómenos socioculturais.

Pois, ler implica, necessariamente, interpretar os sentidos, os enunciados entre o dito e o não dito. Assim, a leitura é um acto de intelectualidade à medida que alarga a nossa racionalidade, reconstrói a nossa visão sobre o mundo, sobre as ciências, sobre as coisas que nos rodeiam e as projecções que advêm do senso crítico.

A leitura permite a operacionalização do saber e, devidamente aproveitada, o seu funcionalismo é como luz contra a escuridão da ignorância. Devemos ler para humanizar, para resolver, para cientificar, para racionalizar, para estancar os preconceitos. Ler para formular e reformular as nossas convicções, as nossas crenças, as nossas ideologias.

Para que a leitura se materialize como fio condutor ela deve ser também ensinada. Ou seja, é fundamental que a leitura funcione como um projecto de sociedade assente no senso crítico.

Logo, evitaríamos interpretações deslocadas, soluções desfocadas, propósitos desagregadores. O ensino da leitura permitirá dotar os diferentes segmentos sociais de valências, por exemplo, capacidade de leitura hermenêutica, fluidez cognitiva e desenvolvimento do hábito de leitura como colheita selectiva de informações que geram conhecimento.

 

Por: HAMILTON ARTES

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