NSIMBA MIZIMU
*Professor de Língua Portuguesa para Estrangeiros
Todo o nativo, antes de conhecer a existência de uma escola, já carrega consigo uma língua, que lhe facilita a interacção social e a expressão dos seus ideais no meio em que se encontra. Esta língua é adquirida ou aprendi da de forma implícita, uma vez que o falante não se preocupa, nem consegue explicar com muita perícia e clarividência, as nuances que exis tem na sua língua de interacçãosocial.
Contudo, desde que esteja em contacto com os seus confrades, os seus anseios são compreendidos e ele, outrossim, compreende os dos outros. A escola, por si só, não serve como depósito de vários conhecimentos que, de uma ou de outra forma, vão moldar os valores sociais.
Pelo contrário, serve como um centro crucial que poderá e deverá fazer com que o domínio da língua ganhe uma nova roupagem e aceitação nos ambientes formais. Neste contexto, a língua é ensina da fora do seu contexto de uso.
Depois de anos e anos de vivência com a língua por parte do nativo, o dever de o fazer passar do mundo implícito para o explícito constitui um de safio ainda maior: prepará-lo adequadamente para os ambientes for mais, nos quais poderá demonstrar o seu domínio da língua de escolarização.
Com isso, os professores de língua começam a estabelecer o que deve e o que não deve ser dito, ou seja, é neste ponto que nasce a distinção entre o certo e o errado, o ade quado e o não adequado, para que o discente adquira consciência do uso correcto da língua, de acordo com o meio em que se encontra.
A escrita é uma actividade de planificação que exige não só o domínio das normas gramaticais, mas também uma concentração apurada naquilo que se pretende comunicar por seu intermédio, visto que, quando não há clareza, a interpretação pode tornar-se problemática. É na escrita que o utente da língua recorre às normas aprendidas.
Em bora, dentro da sala de aula, seja necessário que exista um texto já produzido, que sirva de suporte para a identificação dos elementos aprendidos, isso não é suficiente para garantir o uso adequado daquilo que as gramáticas determinam. Na oralidade, por ser uma realização espontânea, é possível identificar incoerências linguísticas.
Contudo, existem, para além da entoação, segmentos que não são facilmente identificados, caso não sejam transpostos para a escrita. Assim que se recorre à escrita, notam-se muitas dificuldades por parte de vários discentes. Ensinar o vocativo, o aposto ou os atributos e proceder à identificação destes elementos num texto difere muito da sua utilização individual.
Depois de aprender a identificar todos estes elementos, o discente, para além do texto que lhe serviu de suporte, deve ter a missão de os empregar nos seus próprios textos. Deve saber usar a crase, dominar a sintaxe da vírgula e construir ideias claras, assentes na coesão e na coerência das frases.
Quanto maior for a predisposição para a prática, mais o discente se aproximará do caminho que conduz à perfeição. Desta feita, o cérebro transformará este exercício nu ma prática habitual.
Entenda-se que, se ainda temos alunos que não conseguem produzir um texto de apenas dez ouvinte parágrafos, tal facto deve-se, em parte, à inexistência da obrigatoriedade da produção textual como estratégia para o aperfeiçoamento da escrita e a prática das normas gramaticais.







