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Artigo de opinião:  O talento como prioridade: o que Angola já faz e o que ainda está por fazer

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
22 de Abril, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Artigo de opinião:  O talento como prioridade: o que Angola já faz e o que ainda está por fazer

Angola tem investido de forma crescente no desenvolvimento do seu capital humano. A expansão acadºemica e o aumento do número de quadros técnicos formados nas últimas décadas representam avanços reais. Agora precisamos de acelerar este progresso para o tornar mais consistente, num país com uma das populações mais jovens do mundo e com potencial de crescimento económico significativo.

O Índice de Competitividade Global de Talentos 2025 do INSEAD e do Portulans Institute, colcoa Angola no 126.º lugar entre 135 ecónomias avaliadas em competitividade de talentos. A análise de 77 indicadores, cobre a capacidade que cada economia tem para desenvolver, atrair e reter talento, e a eficácia das políticas de recursos humanos, do ambiente regulatório, do investimento em investigação e do alinhamento entre formação e mercado de trabalho. A posição actual reflecte constrangimentos estruturais que o país já identificou e sobre os quais trabalha, mas que exigem cada vez mais maior ritmo de resposta, fruto da aceleração e modernização cada vez mais rápida e urgente que o mundo vivência. Angola precisa de acelerar a formação em competências adaptativas para não ficar para trás na era da IA.

Os  dados dos ultimos censos de 2024 do Instituto Nacional de Estatística, mostram que os jovens de 15 a 24 anos têm a taxa de alfabetização é de 74,9%, o que documenta progresso real face a décadas anteriores, embora o caminho a percorrer seja ainda longo. A taxa de analfabetismo desceu de 34,4% em 2014 para 27,4% em 2024 entre pessoas com 15 ou mais anos, uma trajectória positiva que merece ser reconhecida e acelerada.

O mercado de trabalho acrescenta uma dimensão adicional a esta questão. Mesmo os jovens que concluem a formação académica enfrentam dificuldades na transição para o emprego. A exigência técnica que o mercado tem é cada vez mais alta, que pode ser resolvida com programas de primeiro emprego, se implementados com continuidade. O quadro legal angolano já contempla mecanismos de incentivo a estágios e à contratação de jovens trabalhadores, mas é necessário garantir consistência na execução e na articulação efectiva entre as empresas e as instituições de formação.

Sectores como a tecnologia, a energia, as telecomunicações e os serviços financeiros têm neste momento a oportunidade de investir na formação dos seus quadros como resposta directa ao défice de talentos, sem aguardar que o sistema educacional resolva sozinho, a prazo, uma probemática que tem impacto imediato na produtividade. As economias que alcançam maior competitividade de talentos são as que aproveitam os seus investimentos com maior eficia e os adequanm às necessidades reais do mercado de trabalho.

É importante olharmos para os programas de educação corporativa que respondem a uma dupla necessidade. O desenvolvimento contínuo dos quadros internos e a criação de programas formativos para organizações que não têm escala para estruturas próprias de formação. é preciso fazer um diagnóstico fiel à realidade, construído com avaliações e auscultação das necessidades reais de cada empresa, para que se criem programas à medida, com competências técnicas e comportamentais definidas e com base no objectivos das empresas. A parceria com instituições nacionais e internacionais de referência garante o alinhamento permanente com as melhores práticas e a qualidade que programas executivos de alto padrão exigem.

O debate sobre capital humano em Angola não pode resumir-se ao diagnóstico das insuficiências. Há uma juventude numerosa, com uma população onde cerca de 67% tem menos de 25 anos, e uma urbanização que já atinge 65,5% da população, com energia e disposição para trabalhar. O que essa geração precisa são estruturas que lhe permitam desenvolver competências, acumular experiência e encontrar no mercado de trabalho formal o reconhecimento do seu potencial.

Transformar este potencial em produtividade real é uma responsabilidade partilhada. O Estado tem feito progressos, com o Executivo a alocar 199 milhões de euros para infra-estruturas escolares em Luanda e Icolo e Bengo e a mobilizar mais de 500 milhões de dólares para a edificação de escolas de ensino de base nos próximos dois anos. As empresas têm, por seu lado, a capacidade de actuar no imediato, sem esperar pelo horizonte das políticas públicas. Fazê-lo com método e ambição é, neste momento, a resposta mais eficaz ao índice que Angola quer melhorar.

Por Marta Rego, Consultora em Educação Corporativa da TIS

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