BFA AIMC BFA SB SB FIB BANCO BAI
Dom, 25 Out 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

A propósito de Samuel Pequenino

Jornal Opaispor Jornal Opais
20 de Dezembro, 2023
Em Opinião
0
Tempo de Leitura: 4 mins de leitura
A propósito de Samuel Pequenino

A inegável superioridade de Homero, escreveu Carpeaux, deve-se muito às inúmeras tentativas fracassadas de imitação do poeta cego, na sua Ilíada e na Odisseia.

Facto que faz de Homero o fim último inatingível da poesia, como é Dante com a sua “terza rima”. Mas que dizer de Camões e os Lusíadas?

Seria o lusitano igualmente impossível de se imitar? Coloquemos a questão de outro modo: seriam Homero, Virgílio, Dante e Camões ainda modelos possível de serem imitados?

A resposta é claramente negativa, conforme nos comprova Cervantes, ao escrever o seu Dom Quixote no género que acabava de nascer, ainda que com muitas características particulares do épico.

Tanto é assim que, no mundo moderno, imitar Homero só foi possível no género típico da modernidade, o romance. E isso o fez James Joyce com muitos êxitos no romance Ulisses.

Outras tentativas de continuação do género surgiram e, com exceção do Fausto de Goethe, quase nenhuma sobreviveu e isso se deve a muitas razões.

A principal é que os épicos muito serviram como textos de consolidação dos estados exaltados e nos nossos tempos os estados e as nações encontram-se já bastante consolidadas na sua maioria. Um outro motivo de grande realce é a supremacia que alcançou a prosa desde o século XVIII no lugar da poesia.

 

Em Angola o único épico que conhecemos até então é a Lança Ardente, de Samuel Pequenino. Sobre o autor, algumas considerações: nascido em 1948, em Moçambique, é, à semelhança de Luandino, filho de Angola, o que a sua obra testifica. Adquiriu a nacionalidade angolana em 1980 e se instalou no Kuito.

Em 1969 licenciou-se em Filosofia, em Roma. Alguns anos mais tarde concluiu o mestrado em Psicologia Aplicada à Educação e em 1977 regressa a Roma onde se doutorou em Filosofia.

Por fim, em 1988, licenciouse em Sociologia. Homem de vasta erudição, foi de muita relevância no cenário intelectual do Bié e não só. Escreveu, dentre vários títulos, A comadre, A grande caminhada e Lança Ardente.

Publicado no início do novo século, Lança Ardente entra nesta categoria dos épicos esquecidos com o género. Em 888 oitavas, Pequenino narra a história dos reis e dos povos de Angola, as lutas pela independencia e os seus heróis, seguindo o mesmo modelo dos Lusíadas: invocação, proposição, dedicatória e narrativa.

Dez sílabas métricas para cada verso, com as seis primeiras rimas cruzadas e as duas últimas emparelhadas, invoca a Kianda em vez das ninfas do Tejo.

O autor promete, como escreve no primeiro verso da terceira estrofe, “abrir as cortinas do passado” – É a epopeia de Angola, desde a metade do século XV até finais do século XX.Não há na nossa literatura quem o tenha equiparado neste sentido.

O livro é de imenso valor estético, antropológico e histórico. Se aproxima dos Lusíadas pela forma externa, mas muito se afasta e difere pelo conteúdo.

A oralidade como instrumento de transmissão da história, característica própria dos povos bantu, assume outra forma em versos.

De igual modo não se falou sobre Ngola Kiluanje, Mandume ou Agostinho Neto, com a mesma carga emotiva que somente a poesia nos pode proporcionar. O seu estilo é, diria Mathew Arnold, simples, rápido e directo.

Falta-lhe a nobrez e se a tivesse estaria mais perto da Eneida. O autor que pretende abrir as cortinas do passado, cria também novas janelas para o futuro de Angola. Mais exaltados são livros como o romance autobiográfico A comadre.

Neste, é visível no personagem Arouca as aventuras e desgostos da vida de Samuel Pequenino. Passe-se, igualmente, a conhecer muito da sua biografia ao citar Luandino Vieira, Balzac, Castelo Branco e tantos outros.

As reuniões em seu quintal fazem-nos lembrar dos luxosos salões de Londres e de Paris. A alusão aos terroristas segundo a PIDE e às reuniões em que se discutia Marx e Engels são próprias da literatura da época, que ainda era instrumento de luta anticolonial.

Apesar de bem escrito, o romance é pobre de episódios e acontecimentos, recorrendo o autor a inúmeras repetições e, mais ainda, Pequenino peca ao fazer interrupções na narrativa para exarar lições de moral, o que na literatura nunca deve ser trabalho de quem escreve, mas de quem lê.

Voltemos a questão inicial: nos nossos dias, é lícito imitar os modelos antigos de poesia, tão antigos como se de seres de outro mundo se tratasse?

A esta pergunta só posso responder da seguinte maneira: quantos leitores hoje estariam dispostos a ler poemas épicos? E dentre os dispostos, quantos aceitariam em suas bibliotecas livros que não fossem já o cânone do género?

Eis a questão! É caso para dizer que Samuel Pequenino é dos maiores escritores da nossa literatura e, se Lança Ardente não fosse escrita quando a epopeia já se tinha esgotado, seria Pequenino para nós o que Camões é para Portugal.

Se Lança Ardente é em Angola e até mesmo no Kuito livro de pouca legibilidade não é culpa do autor ou do género em que escreve, mas dos leitores que já não podem ler narrativas em versos.

Não falhou quem escreveu como Camões. Falhamos todos nós, que não mais podemos ler no0 estilo de Camões.

Relacionados - Publicações

A linguagem universal do futebol

Duas finais consecutivas, um sonho por cumprir

23 de Outubro, 2026
A Competência não basta

Técnicos vs. gestores

23 de Outubro, 2026
Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

23 de Outubro, 2026
Clima e preço do prato: como a seca e as chuvas ditam a inflação alimentar?

Renda, luz, água: como negociar contas e evitar cortes

23 de Outubro, 2026
A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

23 de Outubro, 2026
A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

23 de Outubro, 2026
Carregar Mais

Maís Populares

  • GPL disponibiliza resultados definitivos do concurso público do regime geral e especial

    GPL disponibiliza resultados definitivos do concurso público do regime geral e especial

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • FIFA sanciona Federação Angolana de Futebol por incumprimento de decisão disciplinar sobre o 1.º de Agosto

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Luanda acolhe formação sobre normatização electrotécnica

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Mais de 92 mil candidatos obtêm nota positiva no concurso público da Saúde

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • MINSA anuncia hoje resultados provisórios do concurso público

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Relacionados - Publicações

A linguagem universal do futebol

Duas finais consecutivas, um sonho por cumprir

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

A Competência não basta

Técnicos vs. gestores

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

Clima e preço do prato: como a seca e as chuvas ditam a inflação alimentar?

Renda, luz, água: como negociar contas e evitar cortes

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

Carregar Mais
Artigo Seguinte
Casa Branca alerta que fundos para ajudar Ucrânia vão terminar em breve

Casa Branca alerta que fundos para ajudar Ucrânia vão terminar em breve

Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Bem-vindo de Volta!

Entre para a sua conta abaixo

Esqueceu a Palavra-passe?

Recuperar palavra-passe

Por favor, insira o seu nome de utilizador ou endereço de correio-electrónico para reposição da sua palavra-passe.

Entrar
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM