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A aula de leitura em turmas superlotadas: entre a norma pedagógica e a realidade

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
20 de Janeiro, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
A aula de leitura em turmas superlotadas: entre a norma pedagógica e a realidade

Ensinar leitura numa sala de aula com mais de sessenta alunos, ainda em fase inicial de aprendizagem, constitui um dos maiores desafios da prática docente. A norma pedagógica recomenda acompanhamento individual, leitura frequente e avaliação contínua; porém, a realidade das escolas públicas angolanas impõe limites que comprometem seriamente esse ideal.

Não é pedagogicamente correcto reduzir a aula de leitura à leitura de um ou dois parágrafos por aluno, pois essa prática não garante fluência, nem desenvolve a compreensão textual. Ler exige tempo, repetição, contacto contínuo com o texto e mediação efectiva do professor. Por outro lado, a estratégia de dividir a turma em grupos, fazendo com que um grupo leia numa semana e o outro noutra, embora seja uma solução recorrente, levanta questões pedagógicas profundas.

Quantas vezes, afinal, um aluno lê em voz alta ao longo de um mês? E num trimestre? Ou mesmo num ano lectivo inteiro? Um aluno que lê apenas uma ou duas vezes por período dificilmente desenvolverá competências sólidas de leitura, entoação, fluência e compreensão. A aprendizagem da leitura exige prática constante, e não intervenções esporádicas. Além disso, a avaliação da leitura torna-se fragmentada e insuficiente.

O professor vê-se obrigado a escolher entre cumprir o programa ou atender às necessidades reais dos alunos. Neste contexto, a leitura deixa de ser um processo formativo contínuo e transforma-se num acto ocasional, muitas vezes mais administrativo do que pedagógico.

O aluno lê para “cumprir” a aula, e não para aprender a ler melhor. A superlotação das turmas compromete, assim, o princípio fundamental da didáctica da leitura: a regularidade da prática e o acompanhamento individualizado.

Mesmo com boa vontade e competência profissional, o professor encontra-se limitado por condiões estruturais que não favorecem o desenvolvimento das habilidades leitoras.

Exigir resultados elevados sem garantir condições adequadas é transferir para o professor uma responsabilidade que é também institucional e política. Diante dessa realidade, conseguimos perceber as dificuldades que muitos alunos do ensino superior apresentam relativamente à leitura, a base.

Há alunos do ensino superior que apresentam sérios problemas relacionados à leitura, quer de um texto, um excerto ou um livro, porque, desde a base, este não foi ensinado a ler e com esmero, não lhe foi desenvolvida a competência para a leitura correcta.

Enquanto isso persistir, o professor continuará a adaptar a norma pedagógica à realidade concreta, tentando minimizar os danos e manter vivo o compromisso com a formação de leitores competentes.

No entanto, é preciso reconhecer que, sem mudanças estruturais, a aula de leitura em turmas superlotadas continuará a ser um exercício de resistência pedagógica, mais do que uma prática plenamente eficaz e, como consequência, são as realidades nas universidades, alunos com certo grau de escolaridade, que não deveriam apresentar mais dificuldades de natureza de leitura.

Por: LUDYJÚNIOR DIAS

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