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Lingala, língua para não caracterização dos Bakongo de Angola

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
29 de Abril, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 4 mins de leitura
Apreendidas nove armas de fogo e detidos mais de cem suspeitos

As sociedades são possuidoras de culturas, hábitos, costumes e de línguas que as caracterizam e diferenciam-nas de outros grupos sociais. Não é tolerável que um grupo etnolinguístico seja desmembra do da sua génese, da sua história, da sua cultura e da sua identidade sem o seu devido consentimento e por razões superficiais que vão para além do conhecimento multilinguístico que, geralmente, são consequências de emigração/imigração.

Antes da chegada do colono português, tal como reza a história, o Reino do Kongo era muito vasto e estendia-se até ao Gabão, incluindo Angola, RDC, Congo, o Brazaville, e a língua de manifestação cultural, religiosa, comercial, administrativa para o então Reino era o kikongo muito menos português tampouco lingala. Depois da conferência de Berlim, que aconteceu sem consentimento de nenhum africano, povos foram divididos, reinos foram descontinuados, mas as línguas foram carregadas pelos divididos.

A RDC (República Democrática do Congo) é multicultural e multilingue quanto Angola e, feliz mente, conseguiu manter uma língua de unidade nacional, ade mais francês ser língua oficial, e esta prática não anula a existência das demais línguas. Hodiernamente, o LINGALA é muito falado naquele país que, na sua divisão político-admistrativa, contém uma província onde se encontra um povo Bakongo cuja língua é kikongo e com as suas devidas variações e variantes.

Para quem não pertence o grupo etnolinguístico Bakongo, é muito difícil conseguir estabelecer uma disparidade entre um Bakongo da RDC e um de Angola, pois as dissemelhanças são muito mínimas e esta é uma das grandes razões de LINGALA, língua de unidade congolesa, seja vista também como as dos Bakongo de Angola.

A República Democrática do Congo, durante a guerra civil, foi um país que recebeu mais angolanos que, pelo tempo, alguns resolveram ficar lá e constituir famílias, mas outros, depois do calar das armas, acharam ideal voltar para as suas terras de origem e, por sua vez, os regressados não trouxeram apenas a originalidade/nacionalidade angolana, mas também a(s) língua(s) que lá encontraram e muitas outras influências culturais daquele povo.

Hoje, é muito fácil ver um Bakongo de Angola com uma fluência e proficiência inacreditáveis em lingala, mas isso não o torna estrangeiro na sua terra. Embora o kikongo, diante de LIN GALA, esteja a sofrer muita meta morfose ou influência, nunca se rá nem deve ser visto e/ou classificado como língua dos Langas (de forma preconceituosa que é tratado o povo congolês), mas, primeiramente, deve-se procurar entender a história e geografia deste grupo etnolinguístico.

O kikongo sempre que for vis to e considerado como língua dos LANGAS, subjectivamente, estar se-á a dizer que os Bakongo, no seu todo, não são angolanos e as províncias onde se localizam estão fora do solo angolano e Constituição da República de Angola reza que a Angola é indivisível.

Por tanto, não só estaremos diante de um preconceito linguístico como de uma verdadeira luta tribal. É falta de um domínio basilar ou mesmo acurado sobre a geografia do país, porquanto custa acreditar o tipo de associação que é feita a quem diz ser do Zaire, a segunda província a norte de Angola, e com a antiga designação (Zaire) da actual República Democrática do Congo, bem como o desprovi mento dos topónimos das capitais de cada província de Angola, para alguns, tem servido como um vício que autentica ignorância.

M’banza Kongo, que significa cidade do(s) Kongo, não se refere a Congo quer seja RDC, quer seja Brazzaville onde também há Bakongo, porque, sempre que, na capital de Angola(Luanda) e entre outras zonas do país, alguém se identifica ser de M’banza Kongo, o interlocutor associa Kongo, talvez por serem palavras homófonas, com Congo e leva-o para língua LINGALA e não para Kikongo.

É fatal isso! Embora estejamos diante de uma outra situação que demonstra a violação gráfica de topónimos e, com uma certa frequência, de antropónimos, é, sim, preciso uma cautela quer ao grafar, quer ao ler, pois, no alfabeto de kikongo, há inexistência de alguns grafemas e o aportuguesamento tem trazido mais um outro caos no que alude aos significados.

O facto de um número dos congoleses identificar-se como Bakongo e das províncias como: Cabinda, Uige e Zaire, mas sem domínio de kikongo e apenas LINGALA, geralmente, tem servido como um dos motivos de kikongo ser vis to ou classificado como a primeira língua dos Langa-Bakongo angolanizados. Sendo assim, LINGALA, língua de unidade dos congoleses e da tribo Bangala, não deve ser um meio de caracterização dos Bakongo. Dito de outro modo, LINGALA, para os angolanos, não é e tampouco será língua dos Bakongo.

Por: NSIMBA MIZIMU

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