Dani Costa
Coordenador
Quando se olha hoje para o sector da saúde, sobretudo nos últimos nove anos, é indiscutível o investimento que foi feito pelo Executivo do Presidente João Lourenço. Hoje, são poucas as províncias que não tenham um hospital de referência, assim como viram ser construídas outras unidades ao longo dos anos que acabaram por aumentar significativamente o número de camas.
Quem acompanhou o discurso sobre o estado da Nação, o último deste segundo mandato, também viu nas explicações do próprio titular do poder Executivo um sentimento de satisfação por tudo quanto foi feito. A olho nu, por mais que se critique, as obras existem, os cidadãos são atendidos e muitos que buscavam atendimento no exterior fazem-no aqui dentro.
Em muitas tertúlias em que participo, com amigos e até alguns desconhecidos, quando se discute a questão da saúde e os investimentos em curso, a maior preocupação que se levanta é que se está a privilegiar os sectores mais acima, descurando-se o primário. É o discurso que tem sido feito por políticos e até mesmo responsáveis de organizações ligadas aos médicos e enfermeiros.
Dizem estes que, cuidando do sector primário, evita-se um certo afunilamento às instituições de referência, principalmente com pacientes em condições que seriam perfeitamente evitáveis.
Quando se criou o Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), também sob iniciativa do Presidente João Lourenço, acreditava se que conseguiria colmatar algumas das dificuldades que muitos municípios, comunas e vilas apresentavam, incluindo a construção de centros e postos de saúde aí nas áreas longínquas.
Hoje, em muitos municípios, conseguiu-se proporcionar aos cidadãos infra-estruturas e serviços que colmataram o défice então existente. Há vários relatos de circunscrições que conseguiram terminar a carteira de projectos e com eles também se melhorou o atendimento no sector primário com a construção de centros e postos de saúde.
Acredito que, se muitos dos projectos inseridos no PIIM tivessem sido concluídos, em muitos municípios, comunas e vilas o quadro seria outro. A saúde e a educação parecem áreas em que mais se alocaram verbas para empresas, muitas das quais constituídas a nível das províncias e municípios de forma ad hoc. Infelizmente, ainda existem muitos incumprimentos.
São vários os casos de empreiteiros que terão recebido o down payment, mas não terão começado sequer as obras e ‘zarparam’ para as europas da vida, como diria o Bonga. No início desta semana, as informações apontavam para a rescisão de 16 contratos no Zaire por alegados incumprimentos.
Desconheço a dimensão das empresas, mas o rigor durante a fase de contratação evitaria, por exemplo, que se comprometesse as aspirações do Executivo. Por isso, não basta só colocar numa lista negra; é preciso que se responsabilize judicialmente algumas destas firmas.






