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OPAÍS

É de hoje…Males da geração que não é da utopia

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
20 de Março, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Cinquenta anos depois da Independência Nacional, celebrada com pompa e circunstância, Angola ainda procura caminhos que a levem ao verdadeiro desenvolvimento. Ao longo destas cinco décadas, a guerra foi um dos principais impedimentos para o país atingir os ideais de Novembro de 1975, não obstante outros factores que tenham intervindo no decorrer do processo.

A corrupção foi um dos impedimentos mais notórios durante estas cinco décadas, razão pela qual o malogrado Presidente José Eduardo dos Santos a havia classificado como o segundo mal depois da guerra. Estudos divulgados, incluindo por reputados centros como os afectos à Universidade Católica de Angola, indicaram que, por intermédio da corrupção, saíram do país largos biliões de dólares, alguns dos quais espalhados pelo mundo, com o Executivo à perna no sentido de os tentar recuperar.

Acreditava-se, desde então, que estes dinheiros saíam do país por intermédio de integrantes da chamada Geração da Utopia, que, anos mais tarde, se terão apaixonado desesperadamente pelos ‘prazeres de vida’ noutros mundos, muitos dos quais só tinham conhecimento pelos canais de comunicação. Desde sempre, procurou-se imputar a essa geração a razão de todos os males, embora seja mister reconhecer que não possa ser afastada do julgamento.

É a ela que se atribui o descaso a nível da degradação das infra-estruturas, a pobreza, a corrupção e todos os outros males que ainda imperam. Não podia ser diferente. A forma como se enriqueceu, criando,inclusive,osapodados‘DonosDistoTudo’,quesó se observavam noutras galáxias, demonstra claramente que houve um grupo que, num certo momento, fez do país uma espécie de árvore das patacas. Só por esta via poderiam justificar os largos milhões de dólares e o património que reivindicam, mesmo se sabendo de que berço vieram e mamadeiras tiveram ao longo das primeiras três décadas de vida.

Foi sob o manto desta então geração da utopia que nasceu uma outra, ainda distante dos holofotes, mas com o objectivo de atingir os degraus da sagacidade a qualquer preço. Só assim se compreende que, nos últimos tempos, tenha crescido de forma assustadora o número de jovens implicados em crimes financeiros.

A condenação de 24 jovens no leque de 30 implicados no famoso caso AGT, que, segundo a acusação, terá lesado o Estado angolano em mais de 100 mil milhões de Kwanzas, demonstra a podridão que também campeia no seio do grupo que se pensava a reserva, num contexto em que a culpa se atribuía quase de forma exclusiva à chamada geração da utopia.

Não obstante o facto de os defensores dos condenados terem recorrido às decisões dos magistrados judiciais, não deixa de ser significativo o facto de o grupo que se terá apossado dos largos milhares de milhões de Kwanzas ser composto por sangue novo, muitos dos quais se esperava um contributo que possibilitasse o crescimento do país em vários segmentos.

É comum serem os jovens os mais críticos aos males e vícios praticados por uma geração que terá emperrado o país em vários sectores.

Porém, é triste saber que é este mesmo grupo que, à socapa, também vai delapidando, incluindo, usando verbas para serviços libidinosos, em montantes que correspondem a anos de salários mínimos de muitos cidadãos sacrificados, cujo único pecado foi nunca terem escancarado às portas da AGT.

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