Nossa Seguros BFA SB FIB BANCO BAI
Dom, 18 Out 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

O dia que o mundo ficou vazio

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
4 de Março, 2026
Em Opinião
Apreendidas nove armas de fogo e detidos mais de cem suspeitos

Não foi um colapso visível que anunciou o vazio. Não houve cidades em ruínas, nem céus rasgados por presságios, nem a interrupção do curso dos rios. A aparência do mundo manteve-se intacta: as avenidas continuaram congestionadas, os mercados cheios, as vozes sobrepostas nas esquinas físicas e digitais. No entanto, algo essencial havia sido subtraído. O que se perdeu naquele dia não foi matéria, mas medida; não foi estrutura, mas sentido.

O mundo ficou vazio quando a consciência colectiva deixou de reconhecer o valor do rigor e passou a tratar a ignorância como um estado confortável e legítimo de permanência. Durante séculos, a humanidade compreendeu que não saber era condição provisória, nunca destino. A ignorância, quando admitida, tornava-se ponto de partida para a investigação.

O reconhecimento da própria limitação era virtude intelectual, pois abria caminho à dúvida, e a dúvida, por sua vez, alimentava o conhecimento. Contudo, na contemporaneidade, observa-se um deslocamento inquietante: “a ignorância já não se assume como lacuna a ser preenchida, mas como identidade a ser defendida”. O erro já não solicita correção, exige respeito.

A opinião, desprovida de fundamento, reivindica equivalência com o argumento cuidadosamente construído. Este fenômeno não se restringe ao indivíduo isolado. Ele manifesta-se como sintoma cultural. A esfera pública transformou-se em palco de reações imediatas, onde a velocidade substitui a reflexão e a visibilidade suplanta a validade. O tempo do pensamento, que exige leitura, confronto de ideias e verificação de fontes, é considerado excessivo numa era que premia o instantâneo. Assim, o mundo não se esvaziou de informações; ao contrário, tornouse saturado delas.

O vazio emergiu precisamente da incapacidade de discernir, de hierarquizar, de avaliar criticamente o que se consome e se reproduz. A normalização da ignorância revela-se, sobretudo, na inversão de valores. O estudo é frequentemente percebido como ostentação intelectual; a especialização, como suspeita; o aprofundamento, como perda de tempo. O improviso, por sua vez, é celebrado como autenticidade.

O especialista precisa justificar-se, enquanto o desinformado exibe convicção inabalável. A autoridade do argumento é substituída pela autoridade da popularidade. O número de seguidores passa a valer mais que a consistência das razões apresentadas. Aceitar o incomum poderia significar abertura ao novo, expansão de horizontes, enriquecimento cultural. No entanto, a aceitação indiscriminada dissolve critérios fundamentais.

A distinção entre correcto e incorrecto, entre evidência e suposição, entre facto e opinião, torna-se turva. Não se trata de negar a pluralidade de perspectivas, mas de reconhecer que nem todas possuem o mesmo grau de sustentação racional. Quando essa diferenciação desaparece, instala-se um relativismo que, sob a aparência de tolerância, fragiliza a própria possibilidade de diálogo. Questionar converte-se em afronta.

Discordar passa a ser interpretado como intolerância. A crítica, elemento essencial do progresso científico e filosófico, é vista como agressão pessoal. Nesse ambiente, o debate perde profundidade e transforma-se em disputa emocional. A racionalidade pública, que deveria sustentar decisões coletivas e orientar políticas, enfraquece-se diante do império da sensação e da retórica inflamada.

O mundo ficou vazio quando a sociedade começou a confundir liberdade com ausência de responsabilidade cognitiva. Liberdade intelectual não significa licença para afirmar qualquer coisa, mas compromisso com a busca honesta da verdade. Exige disposição para revisar crenças à luz de novas evidências, coragem para reconhecer equívocos e humildade para aprender.

Quando tais exigências são abandonadas, a liberdade degrada-se em arbitrariedade, e a autonomia converte-se em capricho. Do ponto de vista epistemológico, vive-se uma crise de autoridade do conhecimento. Nunca houve acesso tão amplo à informação, nem tantos meios de produção e difusão de conteúdo. Contudo, a democratização do acesso não foi acompanhada, na mesma proporção, pela democratização do pensamento crítico.

Informação sem método não é conhecimento; é apenas acúmulo disperso de dados. E dados, quando descontextualizados, podem sustentar quase qualquer narrativa. A educação, nesse cenário, enfrenta um desafio profundo. Se, por um lado, permanece como instrumento privilegiado de emancipação, por outro, perde centralidade simbólica numa cultura que valoriza resultados imediatos e respostas simples.

O processo formativo, que requer disciplina, esforço e continuidade, parece incompatível com a lógica da gratificação instantânea. Assim, o mundo esvaziase de profundidade porque perde o hábito da perseverança intelectual. Há também uma dimensão ética nesse esvaziamento. A aceitação do incorrecto não é neutra, ela produz consequências concretas. Decisões baseadas em desinformação afetam políticas públicas, relações sociais e escolhas individuais.

A normalização da ignorância fragiliza instituições e compromete o tecido social. Quando a verdade torna-se irrelevante, a confiança coletiva se dissolve. E sem confiança, não há coesão; sem coesão, não há projeto comum. Paradoxalmente, o vazio não se manifesta como silêncio, mas como excesso, sim excesso de vozes, de opiniões, de julgamentos precipitados. O ruído constante impede a escuta atenta.

A superficialidade não se impõe pela ausência de conteúdo, mas pela sua fragmentação incessante. Vive-se numa sucessão de estímulos que raramente se convertem em reflexão. A profundidade exige pausa, e a pausa tornou-se rara.

O vazio do mundo contemporâneo não é irreversível. Ele resulta de escolhas culturais, de prioridades estabelecidas, de valores cultivados ou negligenciados. Reverter esse quadro implica revalorizar a educação, fortalecer a ética do conhecimento, promover o debate fundamentado e cultivar a humildade intelectual. Implica, sobretudo, resgatar o sentido da responsabilidade diante da palavra pronunciada e da informação compartilhada.

Porque um mundo verdadeiramente vazio não é aquele que carece de respostas, mas aquele que perdeu a disposição de perguntar. A vitalidade de uma sociedade mede-se pela qualidade de suas inquietações. Onde há questionamento sério, há movimento, onde há movimento, há possibilidade de transformação.

Por: REIS ADRIANO SIMÃO

Relacionados - Publicações

A competência de quem nos contraria

A competência de quem nos contraria

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

Imaginemos...

A obsessão pelos cargos de chefia: quando a ambição atropela a competência

A obsessão pelos cargos de chefia: quando a ambição atropela a competência

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

Em...

“A Nação que queremos começa pelas crianças, pelas mulheres e pela educação”

“A Nação que queremos começa pelas crianças, pelas mulheres e pela educação”

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

Na...

A Nação como espelho: o Estado da Nação de 2026 e a construção discursiva do legado de João Lourenço

A Nação como espelho: o Estado da Nação de 2026 e a construção discursiva do legado de João Lourenço

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

O...

É de hoje… A punição do comerciante guineense

É de hoje… Ainda não é um adeus, camaradas!

por Dani Costa
16 de Outubro, 2026

Cerca...

É de hoje… A punição do comerciante guineense

É de hoje… Um só povo, uma só Nação

por Dani Costa
15 de Outubro, 2026

O...

Carregar Mais
Publicidade

Maís Populares

  • GPL disponibiliza resultados da validação das candidaturas aos concursos públicos

    GPL disponibiliza resultados da validação das candidaturas aos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Polícia trava desvio de 10 toneladas de fertilizantes no Porto do Lobito

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Naufrágio de barco com 305 imigrantes deixa 139 mortos ao largo de Djibuti

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • MINSA disponibiliza 120 vagas de licenciatura para profissionais de saúde

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Celso Rosas considera Corredor do Lobito como aposta estratégica para transformar Angola num centro logístico da África Austral

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Relacionados - Publicações

A competência de quem nos contraria

A competência de quem nos contraria

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

Imaginemos...

A obsessão pelos cargos de chefia: quando a ambição atropela a competência

A obsessão pelos cargos de chefia: quando a ambição atropela a competência

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

Em...

“A Nação que queremos começa pelas crianças, pelas mulheres e pela educação”

“A Nação que queremos começa pelas crianças, pelas mulheres e pela educação”

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

Na...

A Nação como espelho: o Estado da Nação de 2026 e a construção discursiva do legado de João Lourenço

A Nação como espelho: o Estado da Nação de 2026 e a construção discursiva do legado de João Lourenço

por Jornal OPaís
16 de Outubro, 2026

O...

É de hoje… A punição do comerciante guineense

É de hoje… Ainda não é um adeus, camaradas!

por Dani Costa
16 de Outubro, 2026

Cerca...

É de hoje… A punição do comerciante guineense

É de hoje… Um só povo, uma só Nação

por Dani Costa
15 de Outubro, 2026

O...

Carregar Mais
Artigo Seguinte
Especialistas reunidos em Cabinda discutem medidas eficazes para a preservação e combate à desflorestação da Bacia do Congo

Conferência sobre petróleo reúne empresas do sector em Cabinda

Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM