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Era uma vez, África

Jornal OpaisPor Jornal Opais
11 de Julho, 2024
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Era uma vez, África

No século XV, quando os primeiros marinheiros e comerciantes portugueses, holandeses, ingleses franceses dinamarqueses, etc. Começaram a estabelecer feitorias na Costa Oriental da África ou tentar penetrar no interior das terras, utilizando alguns dos grandes rios, a organização política dos Estados africanos era igual, e às vezes superior à de muitos estados europeus.

Muitas monarquias no continente já eram constituicionais e tinham conselhos de povo, onde estavam representadas as diferentes camadas sociais e onde os soberanos dificilmente podiam ser déspotas com poderes ilimitados.

Mesmos sem serem investidos directamente pelo povo, eram obrigados a servir estes com uma certa abnegação na observância das regras e normas tradicionais de conduta e de gestão.

A ordem social e o equilíbrio moral, satisfatórios, encontrava as suas raízes numa tolerância religiosa que os autores árabes – do séc. IX ao séc. XVII – ainda cantavam.

A qualidade moral a saúde e a força física do soberanos eram indispensáveis porque a situação do e no reino delas dependia. Deste modo, um reino saudável podia também ser visto através de um soberano forte e saudável, física e moralmente. Assim, era uma grande honra para muitos desses soberanos sentir e ver a satisfação pela sua governação.

De lembrar também que estes soberanos eram detentores tanto do poder político como religioso. Além disso, os mítos fundadores atribuem aos primeiros ocupantes da terra ou do solo o direito de se considerarem “representantes eternos” das divindades tutelares à quem pertencem de facto as terras.

Á esse título eles tinham o dever sagrado de repartir este património (as terras) entre os pequenos núcleos da comunidade, isto é, as famílias que encontram assim a única fonte de sobrevivência (a agricultura).

Neste processo, era destacados o papel dos patriarcas (chefe das famílias) que aprecereciam como chefe político e espiritual e consideravam os antepassados como associados as divindades, podendo ser mencionados durante as cerimónias de culto e venerações.

Enfim, com a colonização vieram as proibições às constumeiras manifestações culturais, as restrinções ao uso das línguas locais, consideradas as pessoas com menos teor de melalina na pel (brancos) como superores ao de mais teor (negros), comucumitantemente surgiram as vestimentas que pouco ou nada se adaptam a realidade do africano camponés nem ao seu clima tropical.

Surgiram os trabalhos forçados e as restrições nas músicas e artes antes predominantes. Com as independências, as novas entidades políticas africanas receberam em herança uma dupla situação que tentaram consegnar nas suas constituições, nomeadamente os vestígios da antiga estrutura social e política e os elementos provenientes das sucessivas recomendações efectuadas pela colonização.

Somam-se a realidade do domínio do território, que incompreensivelmente passaram a ser consideradas como propriedade do Estado (dentro de um espaço com um histórico de agricultura), as línguas oficais que recordam mais a continuação da escravatura do que o alcanse das independências, as manifestações culturais ocidetais consideradas puras e nobres diante das natas consideradas rudes e rosseiras, o sistema económico (capitalismo) que pouco ou nada reflete as particularidades do continente e mais serve para tornar ricos os políticos por eles manipulados, etc.

Enfim, a antiga África é apenas contada nos dedos como quem conta os números e cantada em cânticos como quem sonha acordado. Nestes e em outros espaços em que se possam recordar, as realidades da nossa antiga África ecoa pelos lábios por meio de som que se exprime: Era Uma Vez, África.

 

Por: Sampaio Herculano

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