Angola está a promover a capacitação e especialização de mais de 100 profissionais na área da Neurologia e em outras especialidades relacionadas com as neurociências, nomeadamente Neurocirurgia e Psiquiatria, no âmbito do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial.
A informação foi avançada esta sexta-feira, 30 de Outubro, em Luanda, pelo coordenador e gestor técnico do referido programa, Job Monteiro, durante o II Simpósio Angolano de Neurofisiologia Clínica, que encerrou após dois dias de actividade científica e partilha de conhecimentos entre profissionais angolanos e especialistas internacionais.
Segundo o responsável, o levantamento das necessidades do sector identificou as neurociências entre as áreas prioritárias, devido à insuficiência de recursos humanos especializados. Actualmente, Angola conta com pouco menos de 28 neurologistas, considerando os sectores público e privado.
Job Monteiro explicou que o programa financiado pelo Banco Mundial prevê formar e especializar 38 mil profissionais de saúde até 2028, estando a formação em neurociências entre as áreas contempladas.
Como parte desta iniciativa, 20 técnicos seleccionados em diferentes regiões do País iniciaram, a 26 de Outubro, uma formação especializada no Hospital Geral de Exército Pedro Maria Tonha Pedalé.
Nesta primeira fase, a capacitação contempla a realização de exames de electroencefalograma (EEG) e a monitorização neurofisiológica intraoperatória, técnicas fundamentais para o diagnóstico e acompanhamento de diferentes patologias neurológicas.
De acordo com Job Monteiro, a iniciativa permitirá reforçar a capacidade de realização destes exames em unidades sanitárias de Luanda, com abrangência para as províncias do Bié, Cunene, Bengo e Huíla, estando prevista a expansão progressiva para outras regiões do território nacional.
O modelo prevê que os exames sejam realizados nas respectivas unidades sanitárias, com recurso aos equipamentos disponibilizados, e os resultados encaminhados para uma central de leitura e interpretação especializada, a funcionar no Hospital Geral de Exército Pedro Maria Tonha Pedalé.
A formação em Neurofisiologia Clínica, subespecialidade destinada a médicos já especializados, particularmente neurologistas, terá duas etapas: a primeira, com duração de 12 meses, em Angola, e a segunda na Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, ao abrigo de uma parceria estratégica.
Durante o II Simpósio Angolano de Neurofisiologia Clínica, foram igualmente abordados os avanços no diagnóstico e tratamento da epilepsia, incluindo os casos refractários, e das doenças neuromusculares, bem como a utilização de novas tecnologias e ferramentas de inteligência artificial no apoio à interpretação dos exames.








