A diversificação das parcerias internacionais, o aproveitamento das oportunidades de investimento e o acesso às novas tecnologias estiveram entre os principais desafios apontados para o desenvolvimento de Angola, durante um encontro promovido pelo Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN), em parceria com a Embaixada da China em Angola
Subordinado ao tema “A actual conjuntura política, económica e social do mundo: desafios, impactos e perspectivas para o desenvolvimento global”, o encontro reuniu académicos, economistas e especialistas angolanos, portugueses e chineses, que analisaram as transformações da economia mundial e os seus reflexos nos países em desenvolvimento.
Entre os prelectores estiveram o director do CEIC, Alves da Rocha, o antigo ministro das Finanças de Portugal, Jorge Braga de Macedo, o bastonário da Ordem dos Economistas de Angola, Wilson Neves, e os economistas da Universidade de Renmin, na China, Zhu Wenjie, Lyu Yifei e Liu Shouyang.
Durante o debate, os participantes levantaram questões relacionadas com a capacidade dos países africanos de aproveitarem os investimentos estrangeiros sem comprometerem a sua autonomia económica, num contexto marcado pela crescente disputa entre grandes potências e pela utilização de tarifas comerciais e sanções como instrumentos de pressão económica.
A necessidade de os jovens empreendedores avaliarem as condições dos investimentos antes de estabelecerem parcerias com entidades estrangeiras também esteve em destaque. A discussão incidiu sobre a importância de transformar o capital externo em oportunidades de desenvolvimento empresarial, inovação e criação de valor dentro do país.
Na abordagem sobre a experiência chinesa, um dos representantes da Universidade de Renmin destacou as diferentes formas de cooperação entre a China e Angola, com particular atenção à inovação e ao empreendedorismo juvenil. Neste domínio, referiu a realização, em Agosto deste ano, de uma iniciativa de inovação e empreendedorismo dirigida aos países de língua portuguesa, que contou com a participação de cerca de 180 projectos de jovens angolanos.
O especialista considerou que a inteligência artificial representa uma oportunidade para os países africanos reduzirem algumas limitações estruturais, sobretudo no acesso ao conhecimento e às tecnologias. Referiu que a disponibilidade de ferramentas digitais e de modelos de inteligência artificial permite aos jovens acederem a conhecimentos avançados e desenvolverem soluções inovadoras, sem dependerem exclusivamente dos modelos tradicionais de industrialização intensiva em mão-de-obra.
Cooperação e transformação digital
As consequências dos conflitos geopolíticos e a necessidade de os países africanos preservarem a sua autonomia estratégica constituíram igualmente matéria de reflexão. Um dos especialistas chineses defendeu que segurança e desenvolvimento são dimensões interdependentes e que os eventuais benefícios económicos resultantes dos conflitos tendem a ser temporários e insustentáveis.
Na mesma linha, considerou importante que os países africanos participem activamente na definição das regras e dos mecanismos de governação internacional, evitando que as disputas entre grandes potências comprometam os seus interesses nacionais.
Outro tema abordado foi a experiência chinesa na construção de sistemas integrados de informação e gestão de dados. A este respeito, foi explicada a importância da organização de infra-estruturas nacionais de dados, energia e informação para acompanhar a evolução da economia digital e apoiar a tomada de decisões.
O especialista apontou ainda a construção de oito grandes centros de computação na China, como parte dos investimentos destinados a reforçar as capacidades tecnológicas do país e a integrar os sistemas de informação na actividade económica e social.
A formação de quadros africanos em inteligência artificial também foi mencionada, com referência a uma iniciativa chinesa de disponibilização de cinco mil bolsas de formação para países em desenvolvimento, destinada a reforçar competências na utilização da inteligência artificial e na sua aplicação aos diferentes sectores industriais.
O encontro permitiu, assim, discutir os desafios que a actual conjuntura internacional coloca aos países africanos, com particular incidência sobre Angola, num momento em que a transformação tecnológica, a diversificação económica e a capacidade de atrair investimentos constituem questões vitais para as perspectivas de desenvolvimento.







