YARA SIMÃO
Recentemente, ao deslocar-me a um posto de atendimento para actualizar o meu registo eleitoral, acompanhei uma situação que me levou a reflectir sobre a forma como estamos a preparar os nossos cidadãos para o exercício dos seus direitos e deveres. Uma jovem, aparentemente recém-chegada à maioridade, sentou-se para fazer a sua actualização.
Durante o atendimento, perguntou a agente de actualização; “isso é pra quê?”. Surpreendida, a agen te questionou; “se não sabes, por que estás aqui? Como vieste parar aqui?”. Respondeu ela; “Só vi no facebook, e as minhas amigas também falaram”. O episódio pode parecer insignificante para quem olha apenas para o número de cidadãos atendidos.
Afinal, a jovem compareceu, cumpriu o procedimento e deu um passo para participar no próximo processo eleitoral. Mas, para quem procura compreender a qualidade da nossa cidadania, aquela resposta levanta uma questão fundamental: estamos a formar cidadãos conscientes ou apenas a mobilizar pessoas para cumprir procedimentos? A diferença é profunda.
Uma pessoa pode chegar a um posto de atendimento porque viu um anúncio, recebeu uma mensagem ou foi incentivada por alguém. Mas é necessário que saia dali a compreender o significado do acto que acabou de praticar.
Atingir a maioridade representa uma etapa importante na vida de qualquer cidadão. É o momento em que se ampliam as possibilidades de participação na sociedade e em que se tornam mais evidentes determinadas responsabilidades cívicas. No entanto, não basta que a idade chegue. É necessário que a consciência acompanhe esse crescimento.
Os jovens precisam de compreender os seus direitos, os seus deveres e as instituições que organizam a vida. A cidadania não começa quando alguém se senta diante de uma câmara para actualizar os seus dados. Começa muito antes, nas conversas familiares, na escola e no contacto com a comunidade.






