YONA SOARES
*Advogada | Especialidades: Gestão de Recursos Humanos, Sociedades Comerciais e Gestão de Em presas e de Negócios.
Uma prisão que apenas priva da liberdade, mas não prepara para o regresso à socie dade, estará a cumprir integralmente a sua função? Durante a 7ª edição do Fórum Negócios e Conectividades, organizado pelo Grupo Me dia Nova, nos dias 25 e 26 de Setembro de 2026, no Cuanza-Sul, testemunhei uma realidade que merece reflexão.
Os reclusos do Waco-Kungo produzem! No Estabelecimento Penitenciário de Cassosso, localiza do na comuna de Cassoco, município da Cela, a reclusão não se resume a muros, celas e vigilância. O complexo dispõe de estruturas destinadas à formação e à actividade produtiva, incluindo salas de au la, biblioteca, campo agrícola, aviários e uma fábrica de ração animal, inaugurada em Setembro de 2026.
Esta realidade levanta uma questão que Angola não de veria continuar a adiar. Estamos a preparar os reclusos para regressarem à sociedade ou limitamo-nos a mantêlos privados da liberdade até ao fim da pena? Cassosso demonstra o potencial de uma abordagem que associa o cumprimento da pena à aprendizagem e à produção.
E, se esta visão pode ser desenvolvida no Cuanza Sul, por que razão não há-de ser estudada e adaptada aos demais estabelecimentos prisionais do país?
Afinal, a pena de prisão tem um limite temporal. O regresso à sociedade, porém, é uma realidade inevitável. É precisa mente nesse momento que se revela a importância da reinserção social. Recentemente, Angola foi confrontada com o desabafo de um ex-recluso que voltou a ser detido por suspeita de furto de uma viatura.
Numa entrevista, alegou que recorreu ao crime por não encontrar alternativas, responsabilizando o Estado pela ausência de mecanismos de reinserção. A sua declaração não justifica o crime nem elimina a responsabilidade individual.






