ABRAÃO HUNGULO
Muitos microempreendedores em Angola fazem a mesma conta de cabeça: “Se o vi zinho vende a X, eu vendo a X me nos um pouco.” Parece lógica de sobrevivência, mas é a receita mais rápida para trabalhar no prejuízo. Definir o preço de um produto ou serviço não é um acto de adivinhação. É matemática simples, aplicada com honestidade.
Seja na bancada do mercado, na oficina de bairro, no atelier de costura ou na pequena loja de conveniência, a precificação errada é o principal motivo que impede os negócios de crescerem e de se tornarem sustentáveis. O erro mais comum é olhar apenas para o custo da matéria-prima ou do produto final, esquecendo tudo o que está por trás.
O transporte para ir buscar a mercadoria, a taxa do mercado, a embalagem, o tempo gasto a produzir ou a atender, o desgaste das ferramentas e até os dias em que não se vende nada. Quando estes custos invisíveis não entram na conta, o lucro desaparece.
O empresário trabalha muito, tem clientes fiéis, mas, no fim do mês, o caixa não cresce e o negócio não avança. Para sair deste ciclo, o método prático que partilho nesta coluna as senta em três passos claros. Primeiro, some todos os custos reais por unidade ou por serviço, incluindo o seu próprio tempo. Se não atribuir um valor justo à sua hora de trabalho, está a subsidiar o cliente e a empobrecer o seu futuro.
Segundo, defina uma margem de lucro realista. Uma margem de 20% a 30% sobre o custo total não é ganância; é o oxigénio que permite repor stock, cobrir imprevistos e investir em melhorias. Terceiro, teste o preço no mercado. Se os clientes acharem caro, não baixe a margem de forma cega.
Reveja processos, negoceie melhores condições com fornecedores, melhore a apresentação ou comunique com clareza o valor que entrega. Precificar não é afastar clientes. É atrair os clientes certos, aqueles que reconhecem qualidade e estão dispostos a pagar por ela. Oferecer pequenas vantagens, como atendimento rápido, garantia de troca ou entrega no bairro, vale mui to mais do que baixar o preço até ao chão.
E registe tudo: o que comprou, a que preço, o que vendeu e com que custo. Sem números claros, está a navegar às cegas. Um caderno ou uma folha de cálculo simples podem valer mais do que a intuição. Um negócio que não sabe o seu custo real está sempre à beira do abismo. Mas, com transparência e disciplina, a precificação deixa de ser um dilema e torna-se a base do crescimento.






