NAMBI WANDERLEY
*Fotojornalista, professor e investigador
Nesta edição, trago um tema ligado à fotografia, a minha zona de conforto, a fotografia como ferra menta de construção identitária dos luandenses. A abordagem poderá servir de ensaio para a minha futura dissertação de doutoramento em Ciências Sociais, especialidade de Comunicação Social.
Consciente dos desafios de explorar um tema pouco estudado na academia angolana, assumo o risco de abrir caminhos para novas perspectivas de investigação. Como se diz, estamos na chuva e temos de nos molhar. O desafio está lançado, para frente é o caminho. Ao abordar a fotografia, impor ta começar pela sua etimologia e pelo conceito que lhe dá origem.
A palavra deriva dos termos gregos photós, que significa luz, e gráphos, associado à escrita ou ao desenho. Em termos simples, fotografar significa pintar ou desenhar com luz, uma definição que evidencia a essência desta arte de captar e representar visualmente a realidade, Wanderley (2021).
A ferramenta é um objecto mate rial cuja forma, função e significa do resultam de sistemas técnicos, conhecimentos e práticas sócio culturais, Lemonnier (2012). Para McLuhan (1971), ultrapassa a utilidade, funciona como extensão humana e agente de transformação social. Marx (1988) entende-a como meio de produção que transforma a natureza e as condições de existência.
Para fundamentar cientificamente a construção, privilegia mos abordagens que reconhecem a fotografia como meio de produção de significados, preservação da memória e afirmação das experiências socioculturais. Mil ler (1999) contribui para a reflexão psicanalítica sobre a interpretação dos significados.
Neste contexto, a fotografia não constitui apenas uma representação da realidade, mas uma construção influencia da pelo olhar do fotógrafo. Pink (2013) oferece um enquadramento directo, destacando a fotografia como prática visual, interpretativa e participativa.
Dubar (2005) compreende a identidade como construção social resultante da socialização e do reconhecimento, enquanto Hall (2006) destaca o seu carácter dinâmico, moldado pela história, cultura e relações de poder. Said (2007) evidencia a influência das representações dominantes na percepção dos povos.
Neste contexto, Kaji banga (2010) destaca a relação entre culturas étnicas e cultura nacional em Angola, evidenciando a diversidade sociocultural como elemento fundamental na construção histórica da angolanidade.
Henriques (2022) destaca a dimensão histórica da identidade crioula luandense, enquanto Menezes (2023) relaciona cidade, memória e identidade angolana. Estas perspectivas dialogam com Durkheim, segundo o qual os valores, as normas e as crenças par tilhadas influenciam a formação dos indivíduos e da consciênciacolectiva.
Complementarmente, Carvalho (2011) evidencia a importância da convivência, da vizinhança e das experiências partilhadas na construção das identidades juvenis. À luz da solidariedade social durkheimiana, essas relações favorecem a identificação e a coesão grupal.






