O declínio populacional da China é irreversível no curto prazo, mas poderá ser contrariado a longo prazo, se Pequim reforçar significativamente os incentivos à natalidade, afirmou à Agência Lusa o demógrafo independente chinês HeYafu
O declínio populacional da China é irreversível no curto prazo, mas poderá ser contrariado a longo prazo, se Pequim reforçar significativamente os incentivos à natalidade, afirmou hoje à Agência Lusa o demógrafo independente chi nês HeYafu. “A tendência de declínio da população chinesa é, de facto, irreversível no curto prazo.
Mas, a longo prazo, se o Governo adoptar políticas de apoio à natalidade suficientemente fortes, ainda será possível inverter essa tendência”, considerou o especialista. HeYafu, que acompanha há vários anos a evolução demográfica do país, apontou a capacidade de execução do Governo chinês como um fator que poderá contribuir para essa inversão.
“Afinal, o Governo chinês tem uma capacidade de execução muito forte”, observou. A China registou em 2025 o quarto ano consecutivo de diminuição da população, que caiu para 1.404,9 milhões de habitantes, num contexto de envelhecimento acelera do e redução persistente dos nascimentos.
Segundo os dados oficiais, nas ceram 7,92 milhões de crianças no ano passado, um novo mínimo histórico, depois dos 9,54 milhões registados em 2024. O demógrafo identificou vários fatores estruturais que explicam a tendência.
“As principais razões para o declínio da população chinesa são a taxa de fecundidade persistente mente baixa, a diminuição contínua dos nascimentos, a redução do número de mulheres em ida de fértil, o adiamento significativo do casamento e da maternidade e os custos excessivamente elevados de criar filhos”, enumerou.
Nos últimos anos, Pequim lançou várias medidas visando incentivar a natalidade, incluindo subsídios à criação dos filhos, o prolongamento das licenças parentais e o reforço dos serviços de apoio às famílias.








