“Foi de um ilustre académico que, há alguns meses, cheguei a ler um comentário que deixaria qualquer angolano de bom senso constrangido. O post, numa rede social, surgiu por conta de um ranking, tido como apócrifo, por conta do posicionamento do país em relação a outros africanos em termos de combate à corrupção.
Apresentada como bandeira pelo Presidente João Lourenço, ainda no início do mandato que está prestes a findar, muitos acreditavam que o país dificilmente pudesse contrariar as posições vergonhosas que até então se apresentava. Quem acompanhou os meados e finais dos anos 1990, assim como o início dos anos 2000, lembrar-se-á seguramente dos relatórios da Human Right Watch, Transparência Internacional, Amnistia Internacional e a não menos famosíssima Global Witness. Além destas, outras, como a Open Society, durante muito tempo, também se dedicavam à produção de relatórios e outros documentos que espelhavam muito bem a podridão em que se estava mergulhada.
Quando o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, dissera que, depois da guerra, a corrupção era o segundo mal, já tinha a mínima noção de que o referido cancro já se tinha ramificado para outras partes do tecido nacional. Os esforços que se empreenderam nos últimos anos, já na gestão do Presidente João Lourenço, exigiam da parte da sociedade um encorajamento, independentemente de muitos acreditarem na tese de que se trata de um mal difícil de aniquilar.
Na verdade, não creio que exista um único país no mundo em que o fenómeno não se manifeste, embora de forma ténue, como vimos vezes sem conta, em estados árabes, do Sudeste asiático e até mesmo na América do Norte. Ainda assim, por mais céptico que se seja, não é crível que exista quem venda a ilusão pública de que o melhoramento da posição do país em muitos relatórios esteja associado somente a jogadas de bastidores e não de política que tenham contribuído para que saíssemos do abismo em que já estivemos mais mergulhados.
Essa tendência angolana, herdada talvez dos então coloniza dores, faz com que muitos se virem contra o país, muitas vezes só mesmo por paixão de contrariar, do que apresentando argumentos concretos. Basta ler e ouvir certos depoimentos em que se tem a mínima noção de que alguns nem sequer se dão ao trabalho de ler de forma profunda alguns relatórios.
E ontem, após muitos sinais que vão apontando para um crescimento económico distante do que se observa em outros anos, foram algumas organizações internacionais, incluindo as de Bretton Wood, que apontaram para um possível cresci mento acima do que se tem observado a nível do crescimento populacional, ou seja, acima dos 3 pontos percentuais. Já imagino o que se poderá passar nas mentes de muitos, sobretudo nesta fase do nosso campeonato político.
É que, caso se concretize, ainda assim haverá quem aposte nas teses de um certo alinhamento até daquelas organizações que mais não fazem do que ‘fiscalizar’ verdadeiramente os programas em curso em Angola.







