Numa sociedade mar cada pelo excesso de informação e pela disputa constante pela atenção, comunicar eficazmente tornou-se um desafio que vai além da simples transmissão de mensagens. Não basta in formar; é necessário criar significado, despertar interesse e estabelecer ligações com o público.
Neste contexto, o storytelling, entendido como a arte de contar histórias para comunicar ideias, valores e experiências, assume um papel rele vante na construção da percepção. Na minha perspectiva, o valor do storytelling reside na sua capacidade de influenciar a forma como as pessoas interpretam aquilo que observam, ouvem e experimentam.
Uma mensagem pode transmitir factos, mas é a forma como esses factos são organizados e apre sentados que, muitas vezes, contribui para o significado que lhes atribuímos.
Uma narrativa bem construída pode tornar uma ideia mais compreensível, uma experiência mais memorável e uma identidade mais reconhecível. Esta relação entre narrativa e percepção encontra fundamento no pensamento de Jerome Bruner (1991), que analisa a construção da realidade e a forma como as pessoas organizam e interpretam a experiência.
Embora a percepção não dependa exclusivamente das histórias que ouvimos, as narrativas oferecem enquadramentos que ajudam a atribuir sentido aos acontecimentos. Na comunicação, isso significa que a maneira como uma organização apresenta a sua origem, os seus valores e as suas acções pode influenciar a interpretação que o público faz daquilo que ela representa.
No contexto das marcas, esta in fluência torna-se particularmente evidente. Herskovitz e Crystal (2010) abordam a importância da narrativa na construção da identidade de marca, destacando o papel de uma personalidade reconhecível na criação de relações com o público.
Uma marca não é percebida apenas pelas características dos seus produtos ou serviços, mas também pelas associações que desperta, pelos valores que comunica e pelas experiências que proporciona.
Por: OLÍVIO DOS SANTOS







