Costumo olhar para a cozinha como um lugar onde se faz arte. Gosto de pensar na for ma como ingredientes aparentemente banais, depois de passarem pelas mãos certas, pela combinação adequada e pelo tempo necessário, se transformam num prato capaz de nos arrancar um sorriso. Há ali criatividade, técnica, paciência e, sobretudo, a capacidade de perceber o que combina com o quê.
Sabemos que existem pratos simples e outros bastante elaborados. Uns exigem horas de preparação, ingredientes difíceis de encontrar e técnicas que nem todos dominam. Outros ficam prontos em poucos minutos, com aquilo que já te mos na despensa.
E, curiosamente, ambos podem ter o seu valor. A questão é que esse valor nem sempre está na complexidade do prato. Está também em quem se senta à mesa. Há quem fique encantado com um prato sofisticado, cheio de combinações inesperadas, e há quem encontre a felicidade num bom funge com calulu, numa muamba feita em casa ou num simples arroz de atum.
Para algumas pessoas, a experiência está em descobrir novos sabores; para outras, está no conforto de comer algo familiar, saboroso e sem grandes cerimónias.
Há dias, o Alcides partilhou connosco que, para si, um dos pratos que melhor funciona é o arroz de atum. Simples de preparar, rápido e capaz de lhe proporcionar exactamente aquilo que procura.
Os pratos mais elaborados nem sempre lhe acrescentam valor. Podem exigir mais tempo, mais dinheiro e mais trabalho, sem que o resulta do lhe proporcione uma satisfação proporcional ao esforço. No fundo, para ele, o arroz de atum resolve perfeitamente o problema. E foi aqui que a conversa começou a ganhar aquele sabor especial que costuma ter quando se fala com o Alcides.
Porque é quase inevitável que uma conversa aparentemente banal acabe por nos levar à Gestão de Projectos. Desta vez, a ligação surgiu através de um conceito muito interessante: o Produto Mínimo Viável, conhecido pela sigla MVP.
Não quero transformar esta parti lha numa aula de gestão, mas vale a pena perceber a ideia. Em vez de passarmos meses a construir uma solução cheia de funcionalidades, investirmos muito dinheiro e só depois descobrirmos se ela responde às necessidades de quem a vai utilizar, procuramos começar com uma versão simples, funcional e suficiente para resolver o problema essencial.
Depois, ouvimos quem a utiliza, aprendemos com a experiência e melhoramos aquilo que realmente fizer sentido. Repare que a lógica não é fazer qualquer coisa de qualquer maneira. É perceber o que é verdadeira mente necessário antes de investir tempo e recursos em tudo o resto.
E, enquanto conversávamos, dei comigo a pensar em quantas vezes complicamos a nossa própria vida por não conseguirmos distinguir aquilo de que precisamos daquilo que apenas gostaríamos de acrescentar.
Por: LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”







