N DANIEL MIGUEL os quintais de Luanda, do Huambo ou de Benguela, tu do começa antes da chegada dos convida dos. Alguém empresta as cadeiras, uma tia assume a cozinha e um vizinho resolve aquilo que ninguém tinha previsto.
Quando o semba começa a tocar, o quintal transforma-se num lugar de celebração. Mas chega o momento em que a música ter mina, os convidados partem e regressa o silêncio. O que ficou? Talvez apenas uma boa recordação.
Ou talvez um jovem tenha aprendido um ofício, uma cozinheira conquistado novos clientes e um músico encontrado a próxima oportunidade. A festa terminou. As oportunidades podem continuar. Penso nesta imagem enquanto Luanda recebe o Campeonato Africano dos Clubes Campe ões de Andebol, reunindo algumas das principais equipas do continente.
Angola tem uma história respeitável nesta modalidade, especialmente no feminino. Mas existe uma diferença entre conquistar prestígio desportivo e transformá-lo em desenvolvi mento. Um campeonato pode durar dez dias.
O seu verdadeiro valor de veria ser pensado para os dez anos seguintes. Durante muito tempo, habituámo-nos a avaliar os grandes acontecimentos pela sua dimensão: participantes, espectadores, países representados e cerimónias realizadas. São indicadores importantes. Mas não contam toda a história.
O investigador Holger Preuss, referência nos estudos sobre o lega do dos eventos desportivos, de monstra que os seus efeitos podem ser positivos ou negativos, materiais ou imateriais. Organizar uma competição não significa, automaticamente, produzir desenvolvimento.
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Por: EDGAR LEANDRO







