Bem que a tia Canica, aquela mais velha que se sen tava na ponta da rua, já sem mui tos dentes na boca — e os poucos que tinha estavam apodrecidos —, sempre dizia que falar não é fazer. Mas, ainda assim, o Tiboca, o armado, aquele que dizia ter tudo, mas que, na verdade, na da tinha, continuava a mandar a boca no meio das pessoas. Dizia que era o dono da zona, que comandava tudo e todos.
Nós, miúdos naquela altura, apenas ouvíamos. Não podíamos contrariá-lo, senão ainda levávamos com cada bico e ca da bofetada. E, quando corríamos para casa reclamar, ainda levávamos mais dos próprios pais, porque, como diziam os kotas naquela altura, mais velho sempre tinha razão.
Ainda assim, preferíamos ficar calados no nosso cantinho, a ouvir atentamente o Tiboca, que dizia namorar com todas as damas do bairro, vestir as melhores grifes, frequentar os melhores restaurantes e viver em casas bonitas.
E nós só ouvíamos, atentos, enquanto ele aumentava a história a cada dia. — Eh, che! Tiboca, você manda muita boca! Estás sempre a mentir às pessoas! — gritava corajosamente o Mandi, antigo praça das Forças Armadas, que não aceitava que o Tiboca mentisse aos miúdos e até aos mais velhos.
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Por: DOMINGOS BENTO







