O futebol, em particular, e o desporto, de uma forma geral, têm destas coisas: num instante, um jogador é herói; no seguinte, pode tornar-se o alvo das críticas. Entre o aplauso e a contestação, muitas vezes, está apenas o resultado. Há dias, diante do Malawi, Angola ofereceu aos adeptos um recital de autoridade, personalidade e bons momentos de futebol.
Os Palancas Negras entraram determinados, jogaram com confiança e deixaram sinais de uma equipa capaz de assumir e controlar o jogo. Foi uma vitória sem espinhas, como gosto de realçar. Mas também foi uma oportunidade para olhar para uma relação que o futebol conhece bem: a de amor e ódio entre atletas e adeptos.
Quando um jogador marca o golo decisivo, tudo muda. É o herói, o nome cantado nas bancadas, o rosto da vitória. Mas basta um erro, um penálti falhado ou uma oportunidade desperdiçada para o cenário se inverter. O herói passa rapidamente a ser apontado como culpado. É precisamente aí que deve entrar a empatia.
O atleta de alta competição vive sob enorme pressão. Treina, abdica, compete e carrega a responsabilidade de representar um clube ou uma nação. Mas, acima de tudo, continua a ser humano e os humanos falham.
Por isso, é nos momentos difíceis que o verdadeiro adepto deve aparecer. Quando a equipa perde, quando a confiança vacila ou quando um jogador atravessa uma fase menos feliz, é aí que o apoio ganha verdadeiro significado. Criticar faz parte do futebol; exigir também.
O que não pode fazer parte dele é o insulto, a humilhação ou a perseguição. Nenhuma falha justifica que se retire ao atleta a dignidade que merece. O Gaspar falhou, mas a responsabilidade é colectiva. As cores nacionais e as camisolas dos clubes devem unir e nunca dividir, porque, quando um jogador entra em campo, leva consigo a esperança de milhares de pessoas.
Na terça-feira, os Palancas Negras deram motivos para sorrirmos; amanhã, poderão surgir dificuldades. Isto faz parte do jogo. Haverá vitórias, derrotas, grandes exibições e noites menos felizes.
Que saibamos, então, celebrar o herói quando ele decide um jogo, mas também estender-lhe a mão quando erra, porque apoiar quando tudo corre bem é fácil. O verdadeiro adepto revela-se quando a bola não entra, o resultado não aparece e, mesmo assim, continua a acreditar.
Por: Luís Caetano







