BFA AIMC BFA SB SB FIB BANCO BAI
Dom, 25 Out 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

O outro: a condição que a nossa comunicação esqueceu

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
18 de Agosto, 2026
Em Opinião
0
Tempo de Leitura: 5 mins de leitura
O outro: a condição que a nossa comunicação esqueceu

DR

Vivemos tempos em que é fácil falar e difícil ouvir. Um telefone inteligente, uma conta nas redes sociais, bastam para que qualquer pessoa reclame um lugar na conversa pública. Mas há sociedades onde este exercício pesa mais do que noutras, sociedades que ainda carregam feridas por sarar.

Falam-se, mas desconfiam-se. Angola é uma delas, pelo que vale a pena perguntar, antes de mais nada, o que significa, verdadeiramente, comunicar. Dominique Wolton, um dos teóricos que mais rigor trouxe a esta distinção, ensina que informação e comunicação não são sinónimos. Informação é transmissão, um fluxo que sai de nós e chega a alguém. Comunicação, no sentido pleno, exige mais: exige considerar o outro.

A sua cultura, a sua identidade, o lugar de onde fala e escuta. Para Wolton, este é um processo que exige esforço, o esforço de compreender, de estudar, de ouvir com atenção quem está do outro lado. Não é um dado adquirido pela tecnologia. É um trabalho. É neste ponto que gostaria de acrescentar algo ao pensamento de Wolton, e não apenas reproduzi-lo.

Acredito que este esforço de considerar o outro se torna mais acessível quando primeiro nos conhecemos a nós próprios. Carl Gustav Jung chamava a este percurso “individuação”, o processo pelo qual uma pessoa integra as partes de si mesma que preferia ignorar, a que chamava sombra.

Quem não confrontou a própria sombra tende a projectá- la no outro, a ver no seu interlocutor aquilo que teme, ou recusa, encontrar em si. Ora, e quem projecta não escuta. Ouve apenas o eco das suas próprias resistências. Por isso, o trabalho que Wolton pede ao comunicador, o de considerar verdadeiramente o outro, encontra em Jung uma condição prévia: primeiro, considerar-se a si mesmo.

Esta leitura ganha um peso particular quando a trazemos para o contexto angolano. Angola nasceu, em 1975, como um país socialista, tendo mergulhado imediatamente numa guerra civil que se prolongaria por mais de uma década. Foi apenas em 1991, com os Acordos de Bicesse, que se abriu caminho à multipartidarização e à realização, em Setembro de 1992, das primeiras eleições gerais do nosso país. Mas a paz que essas eleições prometiam não se cumpriu.

A UNITA recusou os resultados, e a guerra recomeçou ain- da nesse mesmo ano, prolongando-se por mais uma década, com uma pausa frágil trazida pelo Protocolo de Lusaka em 1994, que não resistiu ao tempo. Só em 2002, com a morte de Jonas Savimbi e a assinatura do Memorando de Entendimento do Luena, Angola alcançou, finalmente, a paz definitiva. É, portanto, a partir desse ano, e não de 1992, que se pode falar de um percurso demo-crático efectivamente construído em tempo de paz, pouco mais de duas décadas sobre um alicerce lançado em décadas de regime de partido único e interrompido, ainda por cima, por dez anos adicionais de guerra.

Ora, assim sendo, é natural, e não deveria surpreender ninguém, que instituições e pessoas a elas ligadas conservem ainda resquícios desse período anterior. A história de um país não se apaga por decreto. Transforma-se, com tempo, e com trabalho, o mesmo trabalho de que fala Wolton.

O problema surge quando este facto histórico é ignorado, ou pior, instrumentalizado. Vejo, com preocupação, sectores da oposição que se recusam a olhar para estas nuances, e que tratam cada instituição, cada agente institucional, como marioneta do partido que governa. É uma leitura que dispensa o esforço de compreender a origem, o contexto, o proces- so. E é, precisamente por isso, uma leitura que fracassa como comunicação, no sentido rigoroso que Wolton lhe atribui. Confunde-se acusação com argumento, e ruído com diálogo. O resultado tem nome, e conhecemo-lo bem: polarização. Uma sociedade que se divide não porque discorda, mas porque deixou de se esforçar por considerar quem discorda de si.

O presente texto não visa isentar quem governa. As instituições têm o dever de se libertar, com o tempo devido, dos resquícios de um passado que já não corresponde ao país que Angola é hoje, e esse dever não é opcional, nem se cumpre apenas com discurso. Exige-se transparência onde antes havia opacidade, prestação de contas onde antes bastava a autoridade do cargo, e abertura ao escrutínio como prática, não como excepção tolerada em ano de eleições.

Quem governa também tem a sua sombra por confrontar, a tentação de confundir crítica com ameaça, e isso, tanto quanto a leitura simplista da oposição, é um obstáculo à comunicação, no sentido pleno que aqui defendemos. Mas a responsabilidade de comunicar bem não pertence apenas a quem está no poder. Pertence também a quem se propõe fiscalizá-lo. Sem este reconhecimento mútuo, o processo de comunicação, entre instituições, entre partidos, entre angolanos, não será efectivo. Vale a pena dizer isto com a clareza que a tese exige: quem quer que venha, um dia, a governar Angola, seja o MPLA, seja qualquer outra força política, vai herdar as mes- mas instituições e as mesmas pessoas a elas ligadas.

Não se troca um país como quem troca de roupa. A continuidade institucional não é propriedade de um partido, é con- dição de qualquer Estado que pretenda funcionar. Quem, na oposição, trata as instituições como extensão do partido no poder, ignora que essas instituições lhe pertencerão também a ele, no dia em que for chamado a servir-se delas. E, nesse dia, vai precisar exactamente do mesmo esforço que aqui defendo, o de as compreender antes de as acusar. É esta, talvez, a contradição mais reveladora do nosso tempo. Avançámos, e de forma notável, do ponto de vista técnico.

Nunca tivemos tantos canais, tanta velocidade, tanto alcance. Mas recuámos do ponto de vista funcional. Comunicamos mais, e compreendemo-nos menos. Temos mais meios, e menos encontro. Wolton lembra-nos que consi- derar o outro exige esforço. Jung lembra-nos que esse esforço começa dentro de nós, no confronto com a nossa própria sombra. E Angola, com a sua história ainda recente de transição, lembra- nos que não há atalhos. Comunicar bem, entre pessoas, entre instituições, entre partidos, exige que cada parte faça o seu trabalho. O da autoridade, o da oposição, e o de cada um de nós, primeiro consigo mesmo. Assessor de comunicação I Formador

POR: AMADEU CASSINDA

Relacionados - Publicações

A linguagem universal do futebol

Duas finais consecutivas, um sonho por cumprir

23 de Outubro, 2026
A Competência não basta

Técnicos vs. gestores

23 de Outubro, 2026
Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

23 de Outubro, 2026
Clima e preço do prato: como a seca e as chuvas ditam a inflação alimentar?

Renda, luz, água: como negociar contas e evitar cortes

23 de Outubro, 2026
A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

23 de Outubro, 2026
A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

23 de Outubro, 2026
Carregar Mais

Maís Populares

  • GPL disponibiliza resultados definitivos do concurso público do regime geral e especial

    GPL disponibiliza resultados definitivos do concurso público do regime geral e especial

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • FIFA sanciona Federação Angolana de Futebol por incumprimento de decisão disciplinar sobre o 1.º de Agosto

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Luanda acolhe formação sobre normatização electrotécnica

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Mais de 92 mil candidatos obtêm nota positiva no concurso público da Saúde

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • MINSA anuncia hoje resultados provisórios do concurso público

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Relacionados - Publicações

A linguagem universal do futebol

Duas finais consecutivas, um sonho por cumprir

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

A Competência não basta

Técnicos vs. gestores

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

Antes de apontarmos o dedo, olhemos para nós

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

Clima e preço do prato: como a seca e as chuvas ditam a inflação alimentar?

Renda, luz, água: como negociar contas e evitar cortes

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

A inexistência da obrigatoriedade na produção textual como estratégia para o aprimoramento da escrita e prática das normas gramaticais

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

A juventude tem voz. Mas tem poder de decisão?

por Jornal OPaís
23 de Outubro, 2026

...

Carregar Mais
Artigo Seguinte
Mulheres de geociência solidarizam-se com pacientes com cancro da mama

Relva do Vici António em alerta

Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Bem-vindo de Volta!

Entre para a sua conta abaixo

Esqueceu a Palavra-passe?

Recuperar palavra-passe

Por favor, insira o seu nome de utilizador ou endereço de correio-electrónico para reposição da sua palavra-passe.

Entrar
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM