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OPAÍS

É de hoje…Carnaval também é política

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
17 de Fevereiro, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião
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Tempo de Leitura: 2 mins de leitura

Li o título deste texto quando, pela manhã, fazia o meu habitual ‘zapping’ matinal depois de ter apreciado a exibição dos Acadêmicos de Niterói, a escola de Samba que neste ano decidiu homenagear Lula da Silva, que, pela terceira vez, ocupa a presidência do Brasil e se prepara para concorrer a um quarto mandato.

Quando a escola, por incrível que pareça, iniciante na Sapucaí, decidiu compartilhar o seu enredo com os seus apoiantes e a liga que dirige o carnaval, foram vários os que se manifestaram contentes e outros furiosos, entre os últimos, os apoiantes de Jair Messias Bolsonaro.

A exibição foi um ‘autêntico’ sucesso. Mas, antes mesmo de terem franqueado a pista, houve tentativas junto do Tribunal Eleitoral do Brasil para se inviabilizar o desfile. Entretanto, por parte deste organismo, saiu a decisão de manter a apresentação dos Acadêmicos de Niterói, o que ocorreu na presença, inclusive, do próprio homenageado: Lula da Silva. Na verdade, mais do que um simples desfile cultural, o carnaval nunca deixou de ter ao lado um substracto político.

É através dele que se transmite também aos povos, principalmente em realidades onde a democracia é doentia ou acentuada, uma certa dose de esperança para que os populares se possam convencer de que há pela frente um futuro melhor. Assim como as falhas de um passado ou ainda as agruras perpetradas por muitos cidadãos, incluindo políticos. Desde sempre, em Angola, o carnaval foi dominado por sátiras.

As piadas entre bairros que marcaram as nossas vivências, as histórias e estórias de lugares e pessoas encantadoras. Cada grupo, ao seu jeito, trazia para a Marginal o seu enredo, acompanhados das nossas peculiaridades como as bessanganas, xinguilamentos, as kindas na cabeça, peixes e outros objectos. Vezes houve em que se destacaram determinados sectores económicos e até empresários, mas em surdinha, sempre cientes de que, se exaltassem mais, muitos seriam os que viriam alegar bajulação e outras considerações.

Não me oponho se, por exemplo, nas próximas edições, alguns grupos tragam mesmo o percurso e reflexo de algumas acções políticas, desde que afastadas das campanhas eleitorais, porque parte do que vivemos hoje é fruto da coragem e também da tragédia apregoada por políticos, por exemplo. E o carnaval não se pode dissociar daquilo que vivemos no dia-a-dia ou influencia o nosso modus vivendi.

E quem viu a estreia da Acadêmicos de Niterói, no Brasil, não se sentiria de modo algum frustrado se visse na próxima edição na Marginal se enaltecer quem faça muito pelos angolanos nos vários quadrantes, porque, afinal, carnaval também é política, porque através desta manifestação cultural também se pode construir uma consciência colectiva melhor para o país. E disso não tenho quaisquer dúvidas.

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