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OPAÍS

As promessas de ano novo e o auto-engano colectivo

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
21 de Janeiro, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
As promessas de ano novo e o auto-engano colectivo

O início de cada ano é marcado por uma prática recorrente: a formulação de promessas. Promessas de esperanças, de criação de novas e mais produtivas metas e, paradoxalmente, repete-se a promessa de que, desta vez, será diferente. No entanto, a experiência demonstra que, na maioria dos casos, infelizmente, não será.

Ano após ano, surgem as mesmas intenções: perder peso, estudar mais, ler aquele livro adiado, abandonar vícios, ser mais produtivo, melhorar comportamentos, ser um cidadão mais responsável, etc. etc.

São promessas social mente valorizadas e moralmente correctas, mas raramente acompanhadas de um compromisso sério para as concretizar em realidade. O Ano Novo transformou-se, assim, num exercício colectivo de auto-engano.

Reciclam se promessas antigas, fracassa das, como se a simples mudança do calendário fosse suficiente para alterar hábitos profundamente enraizados. Não é. A maior par te destas resoluções não falha por falta de tempo ou de oportunidades, mas por ausência de disciplina, perseverança e responsabilidade individual.

Sem disciplina, perseverança e responsabilidade, jamais alcançarás os teus objectivos e anseios; estarás condenado a viver de promessa em promessa.

Prometem-se mudanças profundas sem que exista verdadeira disposição para pagar o preço que elas exigem. Invoca-se a falta de tempo, o excesso de trabalho ou a pressão do quotidiano, quando, na realidade, o que muitas vezes falta é vontade sustentada, persistente e contínua.

O dia-a-dia não derrota ninguém por si só; somos nós que, repetidamente, escolhemos o conforto da inércia em detrimento do esforço da mudança. A passagem de ano está carrega da de simbolismo e rituais: brindes, superstições, gestos de sorte. Contudo, pouco espaço resta para a reflexão séria e para a assunção de responsabilidades.

Confia se mais na sorte do que no trabalho contínuo, mais no entusiasmo momentâneo do que na constância. Sem acção concreta, as resoluções não passam de palavras vazias. Funcionam como um alívio

temporário da consciência, criando a ilusão de propósito sem exigir transformação real. Criam-se listas intermináveis de objectivos, mas mantém-se intactos os comportamentos que conduzem sempre aos mesmos resultados.

Comportamentos corrosivos que só nos levam para a estagnação e ao fracasso. No balanço final do ano, o cenário repete-se: mais promessas in cumpridas, mais frustração, menos progresso.

Ainda assim, persiste a promessa confortável de que “para o ano será diferente”. A realidade é simples e incó moda: mudanças reais não acon tecem por decreto nem por datas simbólicas.

Resultam de decisões conscientes, consistentes, repetidas diariamente, muitas vezes sem motivação e sem reconhecimento. Promessas não mudam vidas. A acção muda.

Vamos para a acção. Se 2026 for apenas mais um ano de promessas vazias, o problema não estará no ano que começa, mas em quem insiste em prometer sem agir. Fazer diferente exige menos palavras e mais responsabilidade. O resto é apenas retórica de calendário. Feliz 2026.

Por: OSVALDO FUAKATINUA

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