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O fracasso dos Palancas Negras no CAN 2025

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
16 de Janeiro, 2026
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
O fracasso dos Palancas Negras no CAN 2025

Foi duro assistir à campanha dos Palancas Negras no CAN 2025. Angola até começou com alguma esperança, olhando para a convocatória e acreditando que, mesmo com limitações, dava para fazer uma campanha razoável.

Mas a verdade é que o que se viu em campo ficou muito aquém do que se exige a uma selecção nacional que quer ser respeitada no futebol africano. O primeiro problema foi visível desde o jogo de estreia: a equipa parecia pesada, desconectada e sem identidade. Faltou intensidade na pressão, faltou organização quando se perdia a bola e, acima de tudo, faltou um plano claro.

O meio-campo era um buraco e os extremos, que deviam ser o nosso ponto forte, desapareceram em vários momentos. Tirando o capitão Fredy, que sempre tentou puxar as rédeas do jogo, o resto andava aos papéis. Jogadores como Gelson, Benson e até o Luvumbo, que têm qualidade, simplesmente não renderam. Mas também, é difícil render quando se passa a maior parte da época com poucos jogos nos seus clubes.

Outro ponto importante é o treinador. O Patrice Beaumelle parece ainda não ter entendido quem são os jogadores que tem em mãos. Demorou a mexer nos jogos, insistiu em jogadores sem ritmo e fez substituições que não trouxeram impacto nenhum à equipa.

E aí fica uma pergunta: será que houve mesmo trabalho táctico nas poucas semanas de preparação? Porque muitos dos erros que vimos, especialmente defensivos, são erros que se corrigem no treino. A verdade é que, quando se chega a um torneio com pouco tempo de preparação e jogadores sem minutos de jogo nas pernas, ou se trabalha muito bem nos detalhes, ou a queda é certa. E não dá para fingir que foi só culpa do técnico.

A FAF também precisa olhar para si. Não se pode querer bons resultados se a estrutura continua limitada, se o acompanhamento aos jogadores e a equipa técnica não é a requerida, sem um departamento de selecções funcional e presente para traçar metas e impor os limites necessários, numa competição com as características do CAN.

O jogo contra o Egipto, por exemplo, foi talvez o único momento em que vimos alguma estrutura, alguma entrega verdadeira, com jogadores de segunda linha. Mas mesmo assim, não conseguimos resolver.

E isso diz muito. Não basta jogar bem durante 60 minutos num torneio deste nível, é preciso consistência, força mental e ideias claras. Falhamos. E o presidente da FAF, Alves Simões, reconheceu isso.

Agora, o que não pode acontecer é mais uma vez varrer tudo para debaixo do tapete. Ou Angola muda o chip, desde a formação até à gestão da selecção, ou continuaremos a ser apenas espectadores de glórias alheias. Porque talento há de sobra, mas talento sem trabalho dá em frustração. E foi isso que vimos no Marrocos.

Por: Luís Caetano

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