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OPAÍS

Palavra – sua elasticidade semântica: espelho do estado sociedade

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
28 de Julho, 2025
Em Opinião
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Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
Palavra – sua elasticidade semântica: espelho do estado sociedade

Apresente abordagem, Palavra – sua elasticidade semântica: espelho do estado da sociedade, resulta da leitura interpretativa de como os diferentes agentes sociais, no mosaico angolano, têm tratado a palavra nesta funcionalidade tridimensional entre pensamento e acto e sua relação na construção da sociedade. Aferimos, a partir da observação, que o tratamento que se tem dado à palavra como fala, enquanto artífice de posição, de exposição e de mecanismo de pluri-actuação no espaço público, é deveras preocupante pela forma de como ela é trabalhada para interacção, para inclusão, para participação, para aceitação e, sobretudo, para democratização que se fundamenta como dialéctica para vida em sociedade. Pois, no contexto angolano, a partir das redes sociais e dos discursos, a palavra foi bipolarizada entre ideologias de y e x.

Tem sido entendida como pertença de determinados grupos que tentam a todo custo sobrepor-se ao vasto tecido social angolano. Assim, assistese a um elevado disfuncionalismo no manuseamento da palavra, por conta de um conjunto de factores, por exemplo, a descarga ideológica, a realidade, os reactores dos desequilíbrios psicoemocionais, ora, temos assistido o estancamento da racionalidade, da flexibilidade, da cordialidade, da polidez antropológica e do direito que é reservado a cada a ente social, por natureza, pensar diferente.

Constata-se que, para determinados segmentos sociais, académicos, políticos, a palavra tem deixado de ser o tradicional veículo de expressão do pensamento humano, da partilha de saberes, do contributo sustentável para o progresso, pois, diariamente, tem se verificado a sua mediocrização, o seu arremesso, o seu reducionismo no panorama das relações humanas.

Ora, a palavra, entende-se aqui a fala, configurase em si como manifestação pluri-linguística inerente à natureza humana, aos contextos e aos diferentes processos históricos, no caso em concreto, etno-ideológico pela forma como se fundam os Estados e como se concebem e se projectam as sociedades. A palavra é também reflexo do estado psicoemocional da sociedade.

Ela sinaliza também sobre e como a sociedade lida com a educação na sua perspectiva alargada. Nos dias que correm, a palavra não pode ser vista apenas como uma simples forma de manifestar-se o que se sente.

A palavra é um artefacto divinal e milenar que comunica e, permitam-me que faça o do prefixo de, descomunica; que honra e desonra; que diz muito sobre quem as enuncia.

E à luz da filosofia da linguagem, as palavras são espelhos ideológicos, de luta de classes, de construções pré-concebidas, intuitivas e figurativas, de afirmação intelectual e cultural, de sobreposição.

Daí que, a palavra incorpora/adopta configurações semânticas ou lexicais e ela é também traduz literalmente o comportamento real das sociedades. Enquanto elemento central da estrutura discursiva, a palavra, subscreve-se às motivações objectivas e subjectivas, reais e irreais, factuais e ilusórias, existenciais e inexistenciais.

Importa também, desde já, realçar que a mercantilização da palavra, entende-se aqui, o seu uso para links e postura miliciana, resulta da não descategorização ideológica, da não reconstrução categorial e sensitiva, da ausência da consciência colectiva e pelo elevado grau de pobreza espiritual que atrasam as reconciliações. A palavra foi alinhada para não pensar, isto é, para que pensem por nós e falem por nós sob pretextos que não acolhem.

A palavra foi generalizada para atender vontades, em nome da maioria. Ou melhor, a maior já não faz o uso da palavra. E os que o fazem se julgam no direito de maldizer. A neutralidade, dispositivo científico de Durkheim, na esteira da comunicação angolana, quase que não se assiste aos cultores da palavra.

Por: HAMILTON ARTES

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