BFA AIMC Bitur BFA SB SB FIB BANCO BAI
Sáb, 31 Out 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

A literatura ainda é uma arma

Jornal OPaísPor Jornal OPaís
27 de Junho, 2025
Em Opinião
0
Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
A literatura ainda é uma arma

Há momentos em que as palavras parecem descansar. Momentos em que os livros se fecham sozinhos, como se aguardassem por leitores que já não chegam.

No entanto, quem conhece a história do nosso país sabe que a literatura, por cá, nunca foi apenas um conjunto de frases bem alinhadas. Já foi mais: uma bússola, um tambor, um esconderijo, um grito.

Já foi arma — daquelas que libertam sem ferir. Durante a luta de libertação, os escritores angolanos encontraram na palavra escrita um caminho alternativo para o combate. Não tinham quartéis, mas sabiam construir trincheiras com metáforas.

A linguagem era o seu território. Escritores como António Jacinto, andino Vieira, Agostinho Neto ou Uanhenga Xitu não se limitavam a escrever livros: escreviam o país. Ou, pelo menos, o sonho de um país mais justo, mais livre, mais inteiro.

Com o fim da guerra e a chegada da paz, muitos acreditaram que o papel militante da literatura havia terminado. Como se a paz fosse sinónimo de silêncio e não de escuta. Como se os livros tivessem de se conformar a ser meros objectos decorativos em bibliotecas subutilizadas.

No entanto, a literatura, embora mais discreta, continua a carregar nas suas páginas uma força pouco notada, mas ainda potente. Vivemos tempos em que as palavras estão em toda parte — nas redes, nos ecrãs, nos slogans — mas, paradoxalmente, a escuta parece cada vez mais rara. Fala-se muito, lê-se pouco. E é nesse contraste que a literatura pode voltar a exercer o seu papel libertador.

Não se trata mais de libertar nações inteiras com manifestos escritos à mão. Hoje, talvez, a libertação seja mais silenciosa, mais pessoal, mais demorada: a libertação do espírito, do pensamento, da pressa de julgar, da superficialidade que corrói. Há ainda quem escreva. Quem resista com palavras. Quem se recuse a ceder ao apelo do imediato.

Jovens, muitas vezes invisíveis aos grandes circuitos, que em cadernos gastos, telemóveis velhos ou arquivos digitais sem nome, produzem poesia, ficção, ensaio. São vozes que brotam no meio do ruído, tentando dizer que nem tudo está perdido.

Que ainda há por onde recomeçar. A literatura, neste novo contexto, tem um papel talvez mais subtil, mas não menos essencial. Já não precisa gritar. Basta sugerir. Já não precisa vencer.

Basta persistir. Há livros que não mudam o mundo — mudam uma pessoa. E isso, muitas vezes, é mais do que suficiente. Falo com o coração de quem encontrou abrigo nas páginas de livros simples.

Falo com a memória de quem, ainda criança, acreditava que havia nos livros uma espécie de feitiço que nos fazia ver além da janela do quarto. Falo com a responsabilidade de quem escreve com a esperança de que alguém, algures, ao ler, sinta o mesmo sopro de liberdade. É por isso que insisto: a literatura ainda é uma arma.

Uma arma sem pólvora, mas com memória. Uma arma sem barulho, mas com alcance. Uma arma que não precisa ser empunhada com força, mas com coragem.

Porque, no fim, libertar não é destruir: é permitir que o outro se reconheça como sujeito da sua própria história. E enquanto houver alguém que leia um poema e nele encontre uma razão para continuar, então a literatura seguirá viva. Discreta, sim. Quase invisível, talvez. Mas sempre de pé, como sentinela de um país que ainda se escreve todos os dias.

Por: JOÃO NGUMBE

Relacionados - Artigos

A Competência não basta

Cuanza-Sul desafia as cadeias de Angola

30 de Outubro, 2026
Actualizar o registo eleitoral é um dever; compreendê-lo é um acto de cidadania

Actualizar o registo eleitoral é um dever; compreendê-lo é um acto de cidadania

30 de Outubro, 2026
Clima e preço do prato: como a seca e as chuvas ditam a inflação alimentar?

Pequenos negócios, grandes desafios: como precificar sem perder clientes

30 de Outubro, 2026
O banco de suplentes

A ilusão de ser importante

30 de Outubro, 2026
É de hoje… A punição do comerciante guineense

É de hoje… Haja paciência, FNLA!

30 de Outubro, 2026
O asfalto que une: mobilidade e dignidade no Namibe

O asfalto que une: mobilidade e dignidade no Namibe

29 de Outubro, 2026
Carregar Mais

Maís Populares

  • Mais de 50 mil enfermeiros estão inseridos no Sistema Nacional de Saúde

    Mais de 92 mil candidatos obtêm nota positiva no concurso público da Saúde

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweetar 0
  • Musk acusa forças ucranianas de violar os termos de utilização da Starlink

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweetar 0
  • Morre empresário angolano Riquinho após complicações de saúde

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweetar 0
  • Executivo propõe aumento salarial de 10% para a Função Pública em 2027

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweetar 0
  • Angola conta com 316 gestores de saúde formados pelo programa de MBA

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweetar 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Relacionados - Artigos

A Competência não basta

Cuanza-Sul desafia as cadeias de Angola

Por Jornal OPaís
30 de Outubro, 2026

...

Actualizar o registo eleitoral é um dever; compreendê-lo é um acto de cidadania

Actualizar o registo eleitoral é um dever; compreendê-lo é um acto de cidadania

Por Jornal OPaís
30 de Outubro, 2026

...

Clima e preço do prato: como a seca e as chuvas ditam a inflação alimentar?

Pequenos negócios, grandes desafios: como precificar sem perder clientes

Por Jornal OPaís
30 de Outubro, 2026

...

O banco de suplentes

A ilusão de ser importante

Por Jornal OPaís
30 de Outubro, 2026

...

É de hoje… A punição do comerciante guineense

É de hoje… Haja paciência, FNLA!

Por Jornal OPaís
30 de Outubro, 2026

...

O asfalto que une: mobilidade e dignidade no Namibe

O asfalto que une: mobilidade e dignidade no Namibe

Por Jornal OPaís
29 de Outubro, 2026

...

Carregar Mais
Artigo Seguinte
Empresas públicas abraçam transparência como foco para correcção de erros do passado

Empresas públicas abraçam transparência como foco para correcção de erros do passado

Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Bem-vindo de Volta!

Entre para a sua conta abaixo

Esqueceu a Palavra-passe?

Recuperar palavra-passe

Por favor, insira o seu nome de utilizador ou endereço de correio-electrónico para reposição da sua palavra-passe.

Entrar
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • POLÍTICA
  • ECONOMIA
  • SOCIEDADE
  • CULTURA
  • MUNDO
  • DESPORTO
  • MAIS
    • OPINIÃO
    • ENTREVISTA
    • EDITORIAL
    • SAÚDE
    • ÁFRICA
    • CIÊNCIA e TECNOLOGIA
    • CRÔNICA de DANI COSTA
    • JUSTIÇA
    • REPORTAGEM
Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.