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OPAÍS

Operações STOP: prevenção contra a criminalidade versus transtornos à circulação

Jornal OpaisPor Jornal Opais
20 de Junho, 2024
Em Opinião
0
Tempo de Leitura: 4 mins de leitura

No último sábado da estação das chuvas, o sol estava convidativo para um mergulho numa das muitas e maravilhosas praias que o nosso belo país oferece.

Angola foi privilegiada com um litoral encantador, que nos proporciona um universo de belas praias (Sangano, Ilha de Luanda, Baía Azul, Flamingos, Lândana e tantas outras).

Inicialmente, tentei resistir, pensei no trânsito caótico, no engarrafamento infindável e, se calhar, em alguns aborrecimentos da vida, mas acabei colocando de lado as malambas, peguei no telelé e liguei para dois amigos do peito. Decidimos ir dar um mergulho à nossa bela Ilha de Luanda.

O plano era simples: apanhar um dos amigos no Zango, o outro no Kilamba e rumar para a nossa deslumbrante Ilha. Passaríamos lá o dia todo e regressaríamos ao final da tarde, depois de darmos uns bons mergulhos e comermos o nosso mufete quentinho, que, diga-se de passagem, é a oitava maravilha do mundo.

Saí de casa por volta das 10 horas da manhã, e, do percurso Zango – Kilamba –Ilha de Luanda, contámos mais de dez operações stop, sendo que fomos abordados em duas delas.

À entrada e à saída do Zango e do Kilamba, ao passar pelo centro de emissão da TPA, no Camama, depois da Vila do Gamek, à entrada do Rocha Pinto, nas imediações do Mártires do Quifangondo, à entrada e saída da Ilha, lá estavam as operações, ou seja, em quase todas as artérias por que passámos, encontrámos cones na via e agentes em operação stop.

Em cada operação, o aparato policial era tão forte, com vários agentes da ordem, desde agentes de trânsito a agentes da ordem pública, fortemente armados.

Confesso que inicialmente pensei que tivesse ocorrido algum infortúnio que justificasse tais aparatos, mas os meus amigos me garantiram que era o normal dos fins-desemana.

O processo consiste em colocar diversos cones ou obstáculos no meio das estradas, barreiras físicas que estreitam sobremaneira a faixa de rodagem e impedem os carros de circular com normalidade.

Inscientes dos critérios de selecção, os automobilistas vão sendo abordados de forma aleatória, às vezes em massa.

Segundo alguns relatos, em quase todos os fins-de-semana são montadas diversas operações stop, onde os policiais abordam os automobilistas, verificam a sua documentação e, quando necessário, revistam o interior das suas viaturas e, em caso de se depararem com alguma irregularidade, aplicam uma multa ou outra medida que se adeqúe à situação.

Apesar de perseguirem o objectivo de garantir a segurança nas estradas, tais intervenções criam gigantescas filas de trânsito e engarrafamentos que podem durar vários minutos. Formam-se quilómetros de filas de carros, criando embaraços ao trânsito.

Mas o caos se instala mesmo, sobretudo, nas situações em que as operações são consecutivas, uma atrás da outra, com pouca distância entre elas. Nas horas de ponta, a situação é mais gravosa e o embaraço é maior. Por alguns minutos, quase que desistíamos de ir dar o nosso mergulho de sábado.

Ao ser abordado pela polícia pela segunda vez, já um tanto agastado, questionei o agente sobre o motivo de estarmos a ser parados consecutivamente, e o mesmo presumiu que era por estarmos três jovens na viatura.

Saltou-me à vista o facto de as viaturas de carga e os transportes colectivos serem os mais abordados pela polícia.

Testemunhei, inclusive, motoristas de longo curso reclamarem do excesso de paragens e controlos por que têm de passar antes de chegarem ao seu destino nas viagens interprovinciais.

Relatos há de camiões que são parados mais de cinco vezes num único dia, num percurso de Luanda a Malanje, por exemplo, provocando incumprimento nos prazos de entrega das encomendas.

A cidade de Luanda é já tão congestionada, com tantas obras nas vias a decorrer, buracos, motas a circularem por todos os lados, que fechar parcialmente vias fundamentais constitui naturalmente um agravar do engarrafamento e embaraços nas mesmas, o que acaba por deixar a cidade menos atraente.

Pessoas há que deixam de sair ao fim-de-semana, no período nocturno, devido à enorme quantidade de operações, que desencorajam o turismo e actividades de lazer pela nossa linda cidade capital e, consequentemente, desencorajam o aumento da produção e o crescimento económico.

É de louvar a iniciativa da nossa Polícia Nacional de realizar tais operações, que visam tão-somente prevenir e combater o crime, transmitindo segurança à população, porém, não podemos deixar de dizer que essas operações excessivas podem desencorajar a livre circulação de pessoas e bens, bem como o fornecimento de bens e produtos, resfriando assim a produção nacional e o fomento ao turismo interno.

Sugerimos, portanto, um melhor planeamento dessas operações, a fim de que não sejam tão prejudiciais ao trânsito já caótico da nossa cidade.

O país deve estar alinhado e unir forças para que a nossa economia cresça, com o aumento da produção de bens e serviços de qualidade.

Urge a necessidade de os produtos do campo serem transportados livremente para as cidades. Urge a necessidade de encorajarmos o turismo interno através, também, da fluidez do trânsito e da redução dos controlos e paragens em operações policiais.

Só atingiremos esses objectivos, se todos os sectores da sociedade estiverem imbuídos do mesmo espírito, do mesmo sentimento e desejo de crescimento e evolução.

E a nossa Polícia não pode estar desassociada desses objectivos nacionais. Operações STOP devem ser mais bem planificadas, coordenadas e com objectivos concretos e estratégicos de prevenir o crime, mas respeitar a fluidez do trânsito, a circulação de pessoas e bens, proporcionando, assim, a diversificação e o crescimento da nossa economia, rumo à prosperidade de todos nós.

 

Por: OSVALDO FUAKATINUA

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