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Sindicato dos Enfermeiros mobiliza mais de 30 mil profissionais para aderirem à greve

Stela Cambambapor Stela Cambamba
11 de Março, 2024
Em Sem Categoria

Mais de 32 mil e 700 enfermeiros, que se encontram destacados pelas diversas unidades sanitárias do país, estão mobilizados a aderirem à greve, cujo arranque da primeira fase está prevista para o dia 20 deste mês, revelou, em exclusivo ao jornal OPAÍS, o secretário do Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola (SINDEA), Cruz Matete

A partir do dia 20 a 22, os enfermeiros vão trabalhar apenas nos serviços de urgências, banco de urgência, bloco operatório, sala de parto, entre outras áreas de urgências, à semelhança do que vai acontecer com os profissionais de outros órgãos da administração pública. O sindicalista garantiu que todos os profissionais que trabalham em regime de escala nas urgências vão trabalhar sem obstáculos. “Os serviços não de urgências como blocos operatórios, onde se faz as cirurgias electivas, entre outros, a nível nacional, não vão funcionar durante o período da greve”, frisou.

Cruz Matete afirmou que todos os seus filiados estão informados, isto porque, numa primeira fase as assembleias foram realizadas por província, que teve início no dia 24 de Fevereiro e a de Luanda, que aconteceu neste sábado, dia 9, foi a última. Segundo o nosso interlocutor, os participantes nos referidos encontros abraçaram a greve por, alegadamente, considerarem que a vida social dos trabalhadores “está cada vez mais péssima e caótica. Eles ganham salário e parece que não têm”. Explicou ainda que outro motivo que os leva a aderir à greve tem a ver com o facto de o Governo não ter atendido as solicitações que constam do caderno reivindicativo que apresentaram em Agosto do ano passado.

Neste documento, solicitam o aumento salarial, e afixação de um novo salário mínimo, a revisão do Imposto do Rendimento do Trabalho (IRT), que actualmente vária de 1% a 25%, pois a cifra diminui o ordenado consideravelmente. Quanto aos subsídios do INSS, o sindicalista defende que deve ter um gestor da classe na instituição ou um administrador não executivo, de modo averiguar onde são cabimentados os descontos feitos aos funcionários, uma vez que muitos sindicatos desconhecem onde está a ser feito os investimentos dos seus afiliados.

Cruz Matete disse ainda que muitos trabalhadores que já com pletaram os 30 ou 35 anos de serviço, após serem aposentados se dirigem ao INSS e descobrem que a empresa nunca depositou a sua contribuição à segurança social. “Muitos destes casos estão nos tribunais”, garantiu. Por outro lado, explicou que alguns sindicatos, como dos Enfermeiros, dos Médicos e dos Professores negociaram com as identidades empregadoras vários cadernos, sendo que alguns pontos ficaram pendentes e até ao momento não se conclui. “Na classe dos enfermeiros não há promoção a três ou quatro anos, porém, os novos técnicos são promovidos. A situação gera descontentamento para os que estão na instituição há mais tempo e aguardam por uma promoção”, enfatizou.

As reclamações dos enfermeiros

Além da falta de promoção, entre os seis pontos constantes do caderno reivindicativo do SINDEA, segundo Cruz Matete, destaca-se também a retirada do subsídio de compensação, algo que ocorre quando o funcionário sai de férias. DR Explicou que o aumento de cinco por cento ao salário base em que beneficiaram os funcionários públicos, não abrangeu mais de 10 mil enfermeiros. Relativamente a estes dois aspectos, o SINDEA defende que, ao se regularizar essa situação, se pague o retroactivo e a compensação.

“Depois de ter sido apresentada, a proposta foi negociada com o Governo e se concluiu que os mais de 10 mil enfermeiros deviam aguardar pela promoção, o que até ao momento não aconteceu”, detalhou. De acordo com o nosso interlocutor, a classe dos enfermeiros também almeja ser contemplada com residências em sistema de renda resolúvel, isto é, com a possibilidade de pagarem de forma faseada com descontos nos seus salários, ao longo de um tempo determinado. “O sexto ponto é o início de uma formação superior de especialidade da classe. O diploma já foi aprovado, sendo que, agora, os enfermeiros aguardam a sua execução e a indicação dos locais em que poderão se dirigir”, sublinhou Cruz Matete.

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