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OPAÍS

“Proibição no comércio de marfim não é o fim do tráfico”

Jornal Opaispor Jornal Opais
9 de Janeiro, 2018
Em Sem Categoria

Ambientalistas mostram-se esperançados com o facto de a República da China ter proibido o comércio do marfim, porém, apelam a que Angola ensaie novos métodos de protecção, pois a proibição pode dar lugar ao mercado informal

POR: Romão Brandão

Símbolo de status social, o marfim na China chegava a custar 1100 dólares o quilo, tendo a forte demanda deste produto provocado o massacre de milhares de elefantes no continente africano. Desde o último dia do ano transacto, aquele país passou a proibir totalmente o comércio de marfim, uma medida que alimenta as esperanças na preservação desta espécie, segundo os ambientalistas.

De acordo com o coordenador da Unidade de Crimes Ambientais do Ministério do Ambiente, José Rodrigues, em entrevista ao Jornal OPAÍS, a medida chinesa de proibição de importação e comércio de produtos em marfim devolve a esperança de sobrevivência da emblemática espécie em vias de extinção em Angola. Para o especialista, é crucial entender que, independentemente de reduzir o abate indiscriminado dos elefantes, e em simultâneo incentivar a sua reprodução, a proibição adoptada pela China não pode ser vista como o final do tráfico, mas como o princípio de uma luta contra o crime sobre a vida selvagem.

“Vai arrefecer a procura deste produto e permitir que o nosso país ensaie novos métodos e modelos de protecção e preservação, olhando sobretudo para a reforma na legislação ambiental, e aos ajustamentos necessários para melhor nos integrar-mos na região austral de África”, apontou. O coordenador é de opinião que a reforma da Justiça em Angola deve comtemplar uma atenção especial à preservação da fauna e flora. Deve-se ainda apostar no agravamento das penas, para garantir que as gerações futuras venham a dispor da natureza.

Angola precisa de definir, acrescentou, uma nova agenda específica para a vida selvagem, por ser um país vulnerável em matéria de caça furtiva. Com a medida tomada pela China, “Angola tem a oportunidade de reverter o quadro relativo à caça furtiva, transformação e exportação de marfim, um produto considerado o ‘Ouro do Mundo Asiático’”, recomendou. Nem tudo são amarguras, Angola ratificou a convenção de CITES, obrigando-se, por isso, no seu plano interno, a criar políticas de preservação da espécie, hoje pouco eficazes, em consequência do recrudescimento do fenómeno da caça furtiva.

Ter cuidado com o mercado informal

Sendo a República da China, o maior comprador de marfim proveniente do elefante, para o ambientalista Vladimiro Russo a proibição constitui uma prova de que medidas drásticas (pelo menos para um grande número de pessoas) podem ser tomadas. Claro que a sua implementação será sempre um desafio, e os efeitos desta medida já começaram a sentir-se, pois os preços do marfim bruto caíram abaixo de 50%, tendo uma série de lojas destes produtos sido encerradas, “agora é preciso ter cuidado com o mercado informal que sempre motivou o abate de elefantes para obtenção de marfim”, alerta.

Vladimiro Russo, também presidente da Fundação Kissama, que muito se tem batido quando o assunto é a caça furtiva, é de opinião que países como o Japão deverão agora acompanhar a medida da China, para evitar o contrabando. Lamentavelmente, nos últimos 10 anos, mais de 100.000 elefantes foram mortos em África para alimentar o mercado da venda do marfim, cujo destino final era o mercado asiático. Por fim, Russo também sublinhou que “os países africanos, incluindo Angola, devem continuar os seus esforços no combate à caça furtiva para garantir a protecção destas espécies em risco de extinção”.

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