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Somos todos ateus da religião alheia

Jornal Opaispor Jornal Opais
2 de Agosto, 2024
Em Opinião
Somos todos ateus  da religião alheia

O nosso mundo é banhado por diversidade de crenças. Cada país, povos e regiões adoptam modos próprios para se relacionarem e com eles manifestarem a sua espiritualidade.

Deste modo, podemos também considerar que, em certa medida, a manifestação individual desta crença, embora embainhada pelas particularidades sociais, são critérios plenamente singulares, ou seja, nenhum Budista pode dizer que adora plenamente como todos os Budistas, e muito menos um Islamistas afirmar que reza (em voz e ritmo) tal qual outros islâmicos.

Deste modo, as pessoas vivem e se relacionam conscientes de que – por senso comum – existem critérios e normas que devem obrigatoriamente ser vividas por todos os que professam a crença X, ou denominação Y.

Contudo, todos igualmente somos francos por nós mesmos em consentir, que é completamente impossível todos fazermos todas as coisas plenamente igual e identicamente uniformizadas.

Adiante, acrescendo a estas ambiguidades, o meu amigo Adriano Eugênio já havia dito uma vez: “TODOS SOMOS ATEUS DA RELIGIÃO ALHEIA.” Para ser mais franco, este facto quer dizer que literalmente, um fiel Cristão desacredita plenamente da possibilidade de que a existência de Saudata (Buda) tal qual divulgam os Budistas seja verdadeira, com a mesma força com que os Islamistas descrêem da afirmação de que possa ser Cristo (Jesus), Deus e Salvador de toda a humanidade.

Assim sendo, dizendo isso em tom mais popular: só temos olhos para ver coisas boas na mulher a quem nos apaixonamos, pois seus defeitos grandes e pequenos ficam ocultos de nossa visão.

Assim, para um Induísta devoto, a possibilidade de ver alguém a matar um boi, ovelha, cabra ou qualquer um outro gado na intenção de alimentar-se dele, é a coisa mais maquiavélica que possa ser, ao passo de que, para quem é islamismo, seria a melhor graça (benção) uma vez recebida.

De lembrar que, como é sabido, o perfil de Ateu se aplica primariamente as pessoas que descrêem da possibilidade da existência de um Deus, sendo um termo de origem grega onde A é = (igual) a ausência e TEU = (igual) a Deus.

Deste modo, todas as pessoas sabem abertamente que para quem é cristão, ser ateu é negar a Cristo, e aos Islamistas, Maomé, e aos Budistas, o Buda. Para explicitar, não se trata apenas de fazer uma expressão revoltosa, ou bélica aos ideais e princípios de uma dada religião, ou crença, seja publicamente ou em secreto.

Outrossim, estamos a considerar que a partir da altura em que você se declara como processante de um credo ou religião, você está se tornando cético e incrédulo a toda a manifestação que se oponha.

Outra, devemos também recordar que ser ateu nunca foi verdadeiramente não crer em absolutamente nada que seja metafísico ou transcendental, pois isso seria o mesmo que dizer que quase ninguém o é de facto, mas sim, é a decisão de atribuir um determinado juízo (ou voto) positivo a uma determinada forma de pensar, o que nos torna espontaneamente adeptos da incredulidade (e discórdia) em relação a outra. Enfim, ser cristão neste caso, é literalmente ser ateu ao Islamismo e ser Judeu ao budismo.

Portanto, se crer na impossibilidade de existir um Deus me torna um clássico ateu, também crer que somente Maomé é que é profeta me torna descreve de Cristo. E se assim de facto for de facto para tudo o resto, teria enfim razão, Adriano Eugênio, quando em dada altura afirmou que (parafraseando):

 

“TODOS SOMOS ATEUS DA RELIGIÃO DO OUTRO.”

Por: SAMPAIO HERCULANO

*Finalista em História pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto

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