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Revisão, actualização e unificação curricular na especialidade de ensino da língua portuguesa: impacto na vida do estudante

Jornal Opaispor Jornal Opais
25 de Novembro, 2024
Em Opinião
Revisão, actualização e unificação curricular  na especialidade de ensino da língua portuguesa:  impacto na vida do estudante

Antes de mais, o assunto a ser analisado e abordado é resultado daquilo em que acreditamos, quer por ter sido estudante de Língua Portuguesa, quer por buscar dados a partir de pessoas formadas na área.

Conforme consta nos planos curriculares do Ensino Superior à que tivemos acesso, dos institutos, assim como das escolas superiores pedagógicas, nos quais se observou disparidades entre disciplinas, torna-se uma preocupação aos interesses de quem tem desejo de se formar no Curso de Letras.

Entretanto, de um tempo a esta parte, temos convivido com amigos residentes em várias geografias de Angola e além-fronteiras, cujos calibres sobre a matéria linguístico-gramatical são notáveis.

Assim, no ambiente de partilha de saberes a que nos propusemos, o que se comprova, de certa maneira, é o desfasamento de muitas cadeiras contidas nos planos curriculares.

Ou melhor, a composição curricular da instituição X é diferente do currículo da Y, e assim, sucessivamente. Dito doutra maneira, se em Luanda, no currículo académico, há a cadeira de Sociologia Geral e da Educação, Semântica da Língua Portuguesa (separadamente), e no Huambo, Ética, em Malanje, Latim, Semiótica da Comunicação, Semântica Frásica, Marketing, Fonologia e Morfologia da Língua Portuguesa, na Huíla, Lubango, contrariamente, em ensino da Língua Portuguesa, não há nenhuma das cadeiras mencionadas acima. Não ignorando o facto de não termos analisado todos os currículos possíveis.

Assim, a nosso ver, podemos concluir que o currículo da Huíla é o menos colosso em questões de disciplinas. Uma vez que a ideia é formar professores competentes em língua, revisá-lo urgentemente devia ser a meta.

Com efeito, esses dados não são aleatórios nem palpites, porquanto os recolhemos a partir da averiguação curricular advinda, como já afloramos anteriormente, de especialistas no assunto. Eles, por sua vez, inclusive, fizeram uma com paração entre ambas as instituições, com o fito de detectar as diferenças.

E, infelizmente, notou-se claramente assimetrias de nomenclaturas e, noutros casos, não havia equivalências. Por conseguinte, além dessa conjuntura, às quais nos apegamos, há casos específicos e unicamente de abordagens mais profundas.

E estes, consequentemente, têm a ver com o pouco tempo que se dá a várias disciplinas cuja relevância na formação de quadros ligados ao ensino de línguas é importantíssima.

Em referência, não concebemos o facto de que a cadeira de Morfologia, Sintaxe e Semântica formem uma única disciplina, sem, portanto, ignorarmos a realidade desta ser ensinada só num único ano académico, diferentemente de outras escolas em comparação com o ISCED-Huíla.

Além disso, acrescentamos que a Estilística, a Lexicografia/Lexicologia, tristemente, são ministradas, simultaneamente, em menos de um ano, semestralmente, na maioria das instituições, com excepção de Malanje e Lunda Norte, como observamos.

Há outros excessivos casos patentes na constituição do currículo de Ensino da Língua Portuguesa que comprometem, desta feita e muitas vezes, o perfil de saída desejado, criando desigualdades entre os profissionais de educação na área de Língua Portuguesa.

Sem objurgar que, no entanto, existem disciplinas sem necessidade de ter mais tempo do que aquelas de especialidade. Desse modo, as eventuais propostas seriam, a priori, tentar unificar, a grosso modo, os currículos em todas as escolas do Ensino Superior, falando especificamente da especialidade na qual fomos formados. Depois disso, tentar estender o período de instrução das várias cadeiras de especialização.

Alargar, de seguida, o tempo de ensino das disciplinas-chave; se eram dadas em um ano ou semestralmente, que tal passarem a fazer parte do segundo ao quarto, dois anos ininterruptos, como fazem outras instituições.

Essencialmente, a Estilística da Língua Portuguesa, Lexicologia e Lexicografia, Morfologia, Sintaxe e Semântica (separadamente!), só para constar, por enquanto. Convenhamos que, indubitavelmente, é difícil apre(e)nder as teorias que circunscrevem as cadeiras citadas em epígrafe.

Destarte, se já é complicado dominá-las, mais quando o tempo for curto/reduzido, só piora o nível de aprendizagem e apreensão dos formandos. Evidentemente, dos planos analisados, o do Instituto Superior Pedagógico da Lunda Norte chamounos mais atenção pelo facto de ministrarem a cadeira de Didáctica da Língua Portuguesa, Morfologia e Sintaxe em dois anos subsequentes. E, de modo igual, por juntarem a Semântica e Pragmática como única disciplina.

 

Por: Gabriel Tomás Chinanga

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