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Representação simbólica e metafórica em Luuanda: chave para a compreensão da narrativa de José Luandino Veira

Jornal Opaispor Jornal Opais
31 de Janeiro, 2024
Em Opinião

A compreensão e a interpretação são elementos vivos na cosmovisão literária, pois, requere-se homens que se comprometam na busca constante das pedras de toques do fazer literário.

Assim, concordarmos com António Quino ao dizer que “a interpretação é um apelo aos conhecimentos e experiências pessoais do leitor, à semelhança do que acontece com o autor aquando da produção artistíca”.

Deste modo, este é o caso de Luandino Veira, um defensor por oséquio, das liberdades africanas e do pensamento periférico da cidade de Luanda.

É com este introito que trouxemos a ribalta esta importante obra para a Historiografia Literária Angolana. Consequentemente, a obra “Luunda” é uma produção de José Luandino Vieira, nasceu em Portugal, em 1935, mas emigrou com os pais para Angola em 1938, cidadão angolano, participou no Movimento de Libertação Nacional e contribui para o nascimento da República Popular de Angola.

É Membro fundador da União dos Escritores Angolanos, no qual exerceu a função de Secretário-geral. Logo, a obra Luuanda foi publicada em 1963.

Neste ínterim, afirma-se que a obra “Luuanda” é uma obra literária de gênero narrativo, contudo, sua acção no texto segue uma ordem temporal dos factos, há um espaço físico ou geográfico em todos os contos, apesar do tempo não ser expresso forma datada, no entanto, percebe-se pelo contexto que o mesmo é narrado nos meados do século XX.

Seus discursos são expressos em forma de monólogo, onde narrador vai desenvolvendo a história como se estivesse dentro de um Ondjango.

Narrando um Missosso, conto tradicional angolano parecido a fábula, esse conto, geralmente, tem uma moral e narra a vitória de um fraco sobre um forte.

Já, quanto ao tipo de narrador temos: homodiegético referente a presença e Omnisciente e omnipresente referente a ciência ou aquilo que sabe.

Retomando a linha condutora da nossa análise, do ponto vista histórico-literário a obra do pai da escrita periférica e rural foi escrita, em contexto colonial, após Luandino, ter lido Sagarana, de João Guimarães Rosa.

Destarte, Guimarães Rosa ensinou-lhe que era necessário aproveitar, literariamente, o instrumento falado dos personagens, e que um escritor tem a liberdade de criar uma linguagem, que não seja, a que os seus personagens utilizam isto, quer dizer que as personagens para serem vistas como seres reais, precisam falar como os seres reais falam, e o escritor, para utilizar a linguagem informal precisa conhecer a formal.

Apar de tudo isto, temos os personagens que estão no centro de todos os contos: Vovó Xixi e seu neto Zeca Santos, O Ladrão Papagaio, Dona Cecília de Basta.

Uns representam, a realidade angolana em contexto colonial, outros simbolizam o modo de vida o dos portugueses, no âmbito da opressão do homem negro. A tematicidade em estudo, começa, logo no título da obra levantada.

Ao fazermos uma leitura nas entre linhas desta produção artística- literária (permitam o termo) o propósito do título “Luuanda” escrito com dois U, procurando reproduzir a maneira do povo pronunciar a cidade.

Dentro da observação semântica o texto traz uma linguagem hiper popular que fogem das palavras puramente portuguesas, um vocabulário típico de angola, sobre tudo, aqueles que vivem nos musseques de Luanda assim como: Ex: “Tómbora te fala” Desta forma, há uma relação oralidade e escrita no texto de Luandino, é um aspecto muito importante da obra, é essencialmente, para compreender as intenções do autor em causa.

Logo, o quimbundo está oposto ao português no sentido da preferência de uso entre os falantes. todavia, estas duas línguas socializam, sendo utilizada juntas.

Os falantes utilizam o português, mas se valem do Kimbundo para construções sintácticas e lexicais, mostrando que ela é viva e precisa ser utilizada no âmbito comunicativo.

Entrementes, o livro está estruturado em contos que teêm como temas principais a fome, a questão da repressão, anafabestismo, quebra dos valores culturais, coisificação do homem negro,estes e outros não citados fazem-se presente em todas narrativas dos livro, certamente, pelo facto de apresentarem o mesmo contexto histórico.

Outros assuntos são levantados como a pobreza a questão do respeito pelos mais velhos. A necessidade do trabalho com elemento de dignidade do homem angolano.

Como ponto de chegada, o terceiro conto “Estória da galinha e do ovo” apresenta-se como o conto mais conhecido e lido desta obra e tem a galinha como elemento importante da história.

Durante a acção, o problema é resolvido entre as partes envolvidas, porém, depois de uma tentativa sem sucesso de buscar a solução do lado externo ao problema entre Nga Zefa e Bina pela posse do ovo botado( pela galinha propriedade de Zefa no quintal de Bina buscou-se ajuda de Vovó bebeca que por sua vez pediu ajuda de varias pessoas da cidade que tentaram solucionar de forma a beneficirem-se de alguma forma com a situção, por fim numa ameaça de perderem a galinha e o ovo, Zefa, Bina e os moradores do musseque, uniram-se, claro com as suas forças contra aquele que queria roubar o que lhes pertencia, mesmo aparentemente mais fraco, foi o povo que saiu vencedor.

Uma maneira de interpretar as metafóras e símbolos deste conto é pensar nesta luta como representação da luta de libertação, nesse povo como representates do povo angolano e o ovo é nesta história uma metafóra de repressão e opressão do povo angolano.

 

Por: MIGUEL CHIVELA FAUSTINO

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