Jorge Fernandes
Chefe de Redacção
Este fim-de-semana tive a oportunidade de voltar à cidade de Cabinda, desta vez não através do habitual vôo da companhia aérea TAAG, mas de catamarã, via Soyo, tanto na ida como no regresso. A deslocação teve como propósito participar nas festividades do 4.º aniversário da Rádio Mais, uma unidade do Grupo Media Nova que, em apenas quatro anos de existência, conquistou uma posição de destaque, alcançando actualmente a maior audiência nas terras de Maiombe.
No entanto, o que me leva a esta reflexão não está relacionado com as festividades da rádio, muito menos com o team building da emissora, que também proporcionou momentos de interacção com os colaboradores que fazem a magia da rádio naquelas paragens. O que pretendo abordar é a qualidade do serviço prestado pela Sécil Marítima, a companhia que assegura a ligação entre o Terminal Marítimo do Soyo e o Nzau Puna, em Cabinda, e vice-versa.
A viagem de Luanda ao Soyo decorreu tranquilamente. Já tínhamos os bilhetes de ida e volta comprados e, chegados à base do Soyo, dirigimo-nos ao check-in por volta das 13 horas, uma vez que a partida estava marcada para as 14 horas. Mas, chegada a hora prevista, não havia qualquer informação sobre o embarque.
Só por volta das 15 horas começámos a entrar no navio, num ambiente de alguma confusão, tendo a embarcação partido apenas às 16 horas. Como passageiros pouco habituados àquele meio de transporte, não percebíamos a razão de tanta disputa pelos lugares, uma vez que cada passageiro tinha o seu bilhete e partia do princípio de que o respectivo assento estava previamente reservado.
No meu caso, a indicação era 11J. Procurei-o, mas não consegui encontrá-lo. Ao questionar um assistente de bordo, percebi que a situação era ainda mais confusa. Aparentemente, já não havia lugares disponíveis, em virtude de alguns passageiros ocuparem assentos que não lhes estavam destinados. Fui informado de que alguém deveria chegar para ocupar determinado lugar, mas essa pessoa nunca aparecia.
Para o meu espanto, havia até quem ocupasse três assentos para dormir uma sesta. Depois de algum tempo, lá conseguimos ser acomodados e seguimos viagem. A travessia decorreu sem sobressaltos, num ambiente de tranquilidade, permitindo-nos desfrutar da beleza da paisagem. Mas outro episódio curioso aconteceu à chegada.
Ninguém parecia disposto a esperar pela sua vez para desembarcar. A pressa de abandonar o navio levou vários passageiros a desrespeitarem as orientações dos assistentes de bordo, instalando-se novamente alguma desorganização. Só depois da intervenção mais firme de um dos tripulantes foi possível restabelecer alguma ordem. Finalmente, cada um seguiu o seu caminho.
No dia do regresso, o cenário foi praticamente o mesmo: um atraso de quase duas horas, acompanhado de desorganização nos procedimentos de embarque e desembarque. É verdade que a Sécil Marítima presta um serviço importante, sobretudo para uma província como Cabinda, cuja ligação terrestre ao restante território nacional enfrenta limitações decorrentes da descontinuidade geográfica.
A empresa assegura o transporte de centenas de passageiros e de mercadorias, desempenhando um papel fundamental na mobilidade de pessoas e bens. Contudo, prestar um serviço importante não significa que este não possa ser melhorado. Os atrasos, a falta de informação, a desorganização no embarque e a aparente ausência de controlo na distribuição dos lugares são aspectos que merecem atenção da operadora. Acredito que a Sécil poderia prestar um serviço melhor.
E, mais do que isso, penso que a entrada de outros operadores no mercado seria bem-vinda. A existência de concorrência poderia contribuir para elevar a qualidade do serviço, melhorar o atendimento, garantir maior pontualidade e oferecer aos passageiros alternativas de transporte. Cabinda não pode continuar a depender de uma única operadora para assegurar uma ligação tão importante.
Afinal, quem ganha com a concorrência é o passageiro. E quem presta um serviço público de transporte deve ter presente que transportar pessoas exige não apenas embarcações, mas também organização, respeito, pontualidade e qualidade.







