No último Sábado, 4 de Outubro, estava prevista a realização de uma conferência sob o signo: “Há mulheres bonitas sem propósito, mas há mulheres bonitas com propósito. A beleza não é o rosto, a beleza é cumprir propósito”.
O encontro, que seria ministrado pela profetisa Daniela Mussamba, num dos shoppings de Luanda, acabou suspenso perante uma procura muito superior à capacidade inicialmente prevista. O evento deveria acolher cerca de três mil mulheres.
Apareceram, segundo a organização, perto de dez mil. Não havia, por isso, condições logísticas para receber tamanha multidão. Mais do que a dimensão do episódio, o número de mulheres mobilizadas por uma conferência de natureza religiosa merece reflexão.
Daniela Mussamba, integrante do Ministério Internacional de Libertação (MIL), propunha abordar, além da palavra de Deus, questões relacionadas com orientação espiritual, prosperidade, relacionamentos, comportamento e o papel da mulher na família.
A dimensão da procura levou-me a conversar com a minha amiga Silvana Generosa sobre o fenómeno e a influência que a profetisa vem exercendo há alguns anos. Perguntei-lhe se esteve entre as mulheres que procuraram ouvi-la e o que buscaria numa mensagem que fala justamente de beleza e propósito.
A resposta foi simples: as mulheres procuram orientação para enfrentar desafios nos relacionamentos, na família e no seu papel na sociedade. Mais do que discursos sobre empoderamento ou propostas centradas no consumo — roupas, saldos, iPhones ou perucas — há mulheres à procura de espaços de orientação e reflexão.
Querem compreender como lidar com problemas concretos das suas vidas e encontrar respostas para situações que não se resolvem apenas com aquilo que é imediato ou material. Há, portanto, uma procura que ultrapassa a dimensão individual.
Está relacionada com a necessidade de preservar a família, construir relações mais saudáveis e responder às novas exigências sociais sem abdicar de valores e princípios. É aqui que o fenómeno se torna socialmente interessante.
Num tempo em que os relacionamentos atravessam profundas transformações e a própria ideia de família é confrontada com novas realidades, que tipo de orientação procuram hoje as mulheres? De que ferramentas precisam para enfrentar os desafios da vida sem perder a identidade, os valores e o sentido de responsabilidade? A conversa com a minha amiga Silvana fez-me perceber que, por trás da procura por esse tipo de conferências, pode existir uma inquietação mais profunda.
Muitas mulheres não estão preocupadas apenas com aquilo que podem adquirir, mas também com aquilo que podem construir: estabilidade, afectos, família, equilíbrio e um sentido para a própria existência. A prosperidade pode ser importante. A aparência também pode ter o seu lugar. Mas nenhuma delas, por si só, responde à pergunta fundamental: para que estamos aqui? Talvez seja essa a verdadeira questão escondida por trás das milhares de mulheres que procuraram ouvir da profetisa naquele Sábado.
Não apenas saber como ser mais bonita, mais próspera ou mais bem-sucedida, mas perceber o que fazer com aquilo que se é, com aquilo que se tem e com as responsabilidades que a vida impõe. Afinal, qual é o nosso propósito? A pergunta não é apenas para as mulheres. É para todos nós.







