Dani Costa
Coordenador
Já se passaram vários anos desde que se soube de uma promessa pública sobre uma eventual ligação terrestre entre Cabinda e a outra parte do país. Na altura, falava-se de uma ponte que conectaria a província do Zaire e o enclave, hoje tida como a província mais a Norte de Angola.
A descontinuidade é um dos factores que tem afectado sobremaneira a situação sócio-económica, chegando alguns produtos importados a custarem o dobro ou o triplo do preço praticado em outras partes do país. Nesta altura, por incrível que pareça, um saco de cimento estará a custar 15 mil Kwanzas, um valor que deita por terra todas as aspirações daqueles que desejam construir uma residência em tempo recorde.
E há outros produtos na mesma dimensão, o que acaba por entristecer quem vive na província, sobretudo a juventude que não vê muitas vezes alternativas senão migrar para outras províncias, onde buscam melhores condições de vida.
Não havendo uma ligação por terra, que ainda acredito que venha a ocorrer nos próximos tempos, a criação de uma zona franca, com uma taxa de impostos reduzida, a construção do Porto do Caio, o aumento do número de vôos e a entrada em cena dos navios Tchiowa e outras apresentam-se-nos como factores que possam vir a melhorar significativamente a vida dos populares de Cabinda.
Por estes dias, felizmente, regressei a Cabinda. Desde os finais da década de 1990 que tenho visitado esta linda província angolana. Diferente das outras vezes, em que me desloquei de vôo, agora decidi fazê-lo por barco, a bordo de um dos catamarãs da Secil Marítima.
Confesso que inicialmente estava receoso, por causa do trajecto de quatro horas, tanto na ida como na vinda, mas a experiência foi mais saborosa do que inicialmente previa, apesar da necessidade de alguma organização que se precisa da empresa transportadora. Mas, por estes dias, a grande novidade é mesmo Tchiowa, o ferryboat que o Executivo angolano terá adquirido, que hoje presta o serviço de transportação de pessoas, mercadorias, incluindo automóveis.
A sua imponência chama a atenção de quem atraque no Porto de Cabinda ou mesmo no Soyo. É uma alternativa aos vôos que, embora demore mais, acaba por oferecer aos cidadãos um momento de descontracção, segurança e prazer.
Pena que, para muitos, os preços tenham um sabor de amargura, principalmente para quem deseja levar à província mercadorias de grande porte. Por exemplo, alguns jovens locais gostariam imenso de adquirir uma viatura em Luanda ou em outras partes do país e levá-la à província.
Mas dizem que só a transportação até ao local acaba por ser tão dispendiosa que encarece ainda mais o veículo. Espera-se que, com a abertura da primeira fase do Porto do Caio, se consiga baixar significativamente os preços que acabam por tornar o território em um dos mais caros do país.
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