ANDRII KASIANOV
Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Ucrânia na República de Angola
No dia 24 de Outubro, o mundo assinala o Dia das Nações Unidas, da ta que marca a entra da em vigor da Carta da ONU, em 1945. Esta ocasião recorda-nos não apenas os princípios fundamentais da ordem internacional, mas também as pessoas que, através do seu trabalho e dedicação, transformam as decisões da Organização em ajuda concreta às populações afectadas pela guerra.
A Ucrânia é um dos Estados fundadores das Nações Unidas. Após o restabelecimento da sua independência, em 1991, reafirmou o compromisso com os objectivos da Organização, não apenas através da actividade diplomática, mas também da participação dos seus militares em operações de manutenção da paz. Um dos capítulos importantes desta história teve lugar em Angola.
É precisamente por ocasião do Dia das Nações Unidas que damos início à série de publicações «Os Capacetes Azuis Ucranianos em Angola». Com base em documentos de arquivo, fotografias e testemunhos dos participantes, iremos revisitar a história do contingente ucraniano, desde os primeiros entendimentos diplomáticos até ao trabalho desenvolvido pelos engenheiros militares ucranianos em território angolano.
DR No Dia das Nações Unidas, importa recordar os objecti Em meados da década de 1990, Angola procurava superar as consequências de uma prolongada guerra civil. O Protocolo de Lusa ca, assinado em 1994, deu um novo impulso ao processo de paz, mas o país continuava profundamente marcado pelo conflito.
Estradas e pontes destruídas, territórios minados e vias de comunicação interrompidas dificultavam o regresso das populações à vida quotidiana. Foi neste contexto que decorreu a III Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola — UNAVEM III.
A 27 de outubro de 1995, apenas três dias após o Dia das Nações Unidas, o Secretário-Geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, propôs ao Conselho de Segurança a inclusão da Ucrânia entre os países que contribuiriam com pessoal militar para a UNAVEM III.
A 1 de novembro, os membros do Conselho de Segurança deram o seu acordo à proposta, conforme registado nos documentos das Nações Unidas S/1995/912 e S/1995/913. Contudo, entre a decisão internacional e o envio dos militares exis tia um complexo processo de preparação.
Numa comunicação diplomática datada de 3 de novembro de 1995, o Representante Permanente da Ucrânia junto das Nações Unidas, Anatolii Zlenko, informou Kyiv sobre a necessidade de acelerar a aprovação das decisões nacionais, preparar o equipamento mi litar e conduzir negociações com o Secretariado da ONU.
Este documento de arquivo demonstra como um entendimento internacional se transformava em tarefas concretas para os diplomatas e militares ucranianos.








