A República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia deverão reforçar a ligação dos seus sistemas eléctricos através de uma linha de alta tensão de 200 quilómetros, cujo custo de construção está estimado em 300 milhões de dólares norte-americanos.
O projecto permitirá à RDC importar até 550 megawatts (MW) de electricidade para abastecer a região mineira do Copperbelt.
O empreendimento, denominado Projecto de Interligação Kalumbila–Kolwezi (KKIP), resulta de um acordo-quadro estratégico assinado, a 7 de Outubro, pelo Fundo de Investimento Estratégico da República Democrática do Congo (FIS-RDC), pela Enterprise Power DRC SARL (EnPower), pela Trafigura e pela Gridworks Development Partners, com vista ao financiamento, construção e operação conjunta da infra-estrutura.
A linha ligará Kalumbila, na Zâmbia, a Kolwezi, na RDC, e terá uma capacidade térmica de 700 MW, com possibilidade de expansão futura para mais de um gigawatt (GW), de acordo com o comunicado divulgado pelas entidades envolvidas.
O projecto encontra-se na fase final de desenvolvimento, tendo já obtido as concessões, licenças e autorizações necessárias. Entretanto, não foi anunciada uma data para o início das obras nem para a entrada em funcionamento da infra-estrutura.
Energia para a actividade mineira
A interligação pretende contribuir para reduzir o défice estrutural de energia da RDC, estimado em mais de 1 GW, e disponibilizar electricidade fiável e a preços competitivos para os sectores mineiro e industrial do país.
Segundo o comunicado, a disponibilidade de energia poderá permitir o desenvolvimento de projectos de mineração e refinação que se encontram suspensos devido à falta de fornecimento eléctrico de base e de custos competitivos.
A iniciativa deverá ainda contribuir para o aumento da produção mineira e de refinação, com potencial para gerar maiores receitas fiscais para o Estado congolês. Entre os benefícios previstos estão também a ampliação do acesso à electricidade para comunidades e empresas, o incentivo ao empreendedorismo local, a criação de emprego e a diversificação da economia.
Zâmbia poderá aumentar exportações de energia
Do lado zambiano, o projecto deverá criar oportunidades de exportação de electricidade para produtores licenciados e disponibilizar capacidade de transmissão para operadores autorizados, além de contribuir para impulsionar o desenvolvimento de nova geração de energia.
As entidades envolvidas estão igualmente em conversações com organizações zambianas sobre a possibilidade de participação no investimento, através de um potencial coinvestimento.
A infra-estrutura deverá reforçar a ligação da RDC ao Southern African Power Pool (SAPP), organismo regional que interliga as redes eléctricas nacionais e permite o comércio de energia entre países da África Austral.
Para o director-geral do FIS-RDC, Emile Osumba, o projecto representa a primeira operação anunciada pelo Fundo desde a sua criação, em Outubro de 2025, e enquadra-se no mandato de mobilização de investimentos para infra-estruturas estratégicas da RDC.
O responsável considera que a iniciativa poderá contribuir para o crescimento industrial, a criação de empregos qualificados e o aumento das receitas fiscais, destacando o papel do investimento público na mobilização de capital privado.







