Em Novembro, o preço do petróleo será influenciado por elei tores que nunca viram o Estreito de Ormuz e por um Presidente que sabe disso. É uma das verdades mais desconfortáveis da política internacional actual: a estabilidadede uma região decisiva do planeta passou a depender, em parte, do calendário eleitoral de uma potência. Teerão percebeu-o primeiro.
Na Assembleia Geral das Nações Unidas, apresentou uma proposta que recupera, no essencial, o memorando de entendimento anterior, com um incremento: um entendimento com Omã sobre Ormuz, que reduz o prazo de trinta dias para sete.
Donald Trump rejeitou-a. Era o desfecho mais provável, e talvez o próprio Irão o tenha antecipado. Quem propõe sabendo que será recusado fala menos ao interlocutor e mais à plateia, e quer mostrar ao mundo quem esteve dispo nível para a diplomacia.
Menos mesa de negociações, mais relógio. Menos concessão, mais cálculo. Para a Casa Branca, uma escalada em Ormuz teria um custo que se me de em combustível e em votos, e o próprio Presidente reconheceu a ligação entre o conflito, a energia e as intercalares.
Teerão faz a leitura inversa: se Washington quer evitar uma guerra impopular antes das eleições, a pressão sobre o estreito pode render mais do que a concessão. Duas capitais, o mesmo relógio, conclusões opostas.
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Por: DÉLCAR GAMA





