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OPAÍS

É de hoje…Gigantes e anões na política angolana

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
23 de Janeiro, 2026
Em Cronica de Dani Costa, Opinião

Uma das maiores memórias das duas primeiras eleições em Angola, isto é, em 1992, inicialmente, e depois em 2008 — 16 anos depois — foi o surgimento de várias forças políticas para além das três principais: o MPLA, a UNITA e a FNLA.

Tanto no primeiro pleito como no segundo, vencidos pelo partido no poder, procurou-se sempre levantar suspeições, em vários círculos, sobre a necessidade ou não de existirem outros partidos distantes dos tradicionais.

A história registou que, há mais de 30 anos, por exemplo, o então líder da UNITA, Jonas Savimbi, foi um dos que mais se opunha, tendo chegado, inclusive, à deselegância de ter chamado alguns dos concorrentes de “partidecos”. Na verdade, com uma lei permissiva, na altura, assistiu-se, até anos depois, ao nascimento de organizações políticas sem quaisquer ambições, nem tão pouco ideologias, projecto ou programa de governo convincentes para o eleitorado.

Meio a sério, meio a brincar, houve altura em que se dizia que alguns destes partidos políticos não possuíam sequer militantes suficientes para preencher os lugares de um mini-autocarro, como se acabou posteriormente por confirmar com o desaparecimento precoce e natural de muitos deles.

Mais de três décadas depois, assiste-se a um novo surgimento de formações políticas, tanto impulsionadas por figuras já calejadas como também por novatos da política angolana, mas num contexto completamente diferente do que se viveu na década de 90 ou no início dos anos 2000. É que, mais de seis décadas depois do surgimento dos partidos tradicionais, em que uma geração marcou significativamente o processo político no país, há uma outra que se vê, igualmente, no direito de almejar o lugar destes.

Não através do mesmo barco, mas por iniciativas diferentes, cuja ambição é poderem ter a oportunidade de um dia dirigir o país. Entre a ambição do poder e o seu alcance haverá, certamente, um enorme hiato, por vezes até inalcançável, devido ao poderio político e económico que os tradicionais já possuem. Ainda assim, um projecto sólido e convincente poderá sempre permitir que alguns destes aspirantes consigam fazer parte do projecto comum, nem que seja a partir da Assembleia Nacional.

É por isso que, mais do que querer escrutinar — e até mesmo matar à nascença alguns destes novos projectos —, como o fazem alguns dos potenciais adversários, o tempo encarregar-se-á de separar o trigo do joio na época da verdadeira colheita. Embora possam existir sonhos impossíveis, principalmente numa luta entre gigantes e anões, nada impede que outros concorram e apresentem as suas ideias.

Por exemplo, quem diria que um dia se veria, em Portugal, que vai nos próximos dias a uma segunda volta das presidenciais, um candidato a prometer levar aos seus concidadãos “vinho canalizado”? Nem por isso deixou de ter votos, apesar de não ter chegado à linha da frente.

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